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  • hikafigueiredo

"Árido Movie", de Lírio Ferreira, 2005

Filme do dia (198/2020) - "Árido Movie", de Lírio Ferreira, 2005 - Jonas (Guilerme Weber) é um apresentador de telejornal no sudeste do Brasil que precisa retornar à sua pequena cidade natal no interior de Pernambuco para o velório do pai, que foi assassinado. No local, é informado por sua avó que terá de manter a tradição familiar e vingar a morte de seu pai.





Nesta mistura de road movie com western temos agregadas infinitas temáticas do imaginário nordestino, tais como o cangaço, o messianismo, o coronelismo, a seca, a urbanidade litorânea em contraposição ao regionalismo do interior. Temos tudo isso "junto ao mesmo tempo agora", resultando em uma obra que o tem de rica, tem de fugaz. Em outras palavras, são tantos os temas, os arcos, os ângulos que a totalidade nos foge, mas, ao contrário do que possa parecer, o resultado não é negativo, mas uma curiosa sensação de "quero mais", uma ânsia em abraçar e entender o filme na sua completude. É interessante observar como cada núcleo tem sua função relacionada a uma temática - assim, o Meu Velho ressignifica o messianismo; a família de Jonas, o coronelismo; a bandidagem de motocicleta, o cangaço; os amigos de Jonas, a urbanidade litorânea. Temos, até, espaço para um arco metalinguístico na figura da cineasta Soledad, que nos remete a Glauber Rocha e sua Estética da Fome ao filmar a seca e os significados da água no interior do Nordeste. Amarrando tudo, a figura de Jonas, que transita entre todos os núcleos, mas não pertence a nenhum (talvez por ser "produto de exportação" do Sudeste, onde vive há muitos anos). O roteiro consegue, com habilidade, costurar todos os arcos, dando unidade e não permitindo que um se sobreponha ao outro - há uma equanimidade entre os núcleos, inexistindo qualquer escalonamento entre eles. O tempo é linear, o ritmo é ágil, com alguns momentos de distensão. O filme é esteticamente bacana, contando com uma fotografia bastante saturada que contrapõe o amarelo e o laranja da seca ao azul do céu. As locações são muito bem aproveitadas, sejam na forma das maravilhosas praias de Recife, sejam nas planícies secas e pedregosas do interior. A trilha sonora repleta de músicas regionais e populares é ótima, super referenciada ao contexto. Outro ponto altíssimo da obra é o elenco - só profissionais de gabarito, todos espetaculares. Olha, é difícil até destacar alguém, mas, fazendo um esforço, achei o trabalho de José Dumont, de Selton Mello e de Matheus Nachtergaele excepcionais (mas ainda tem gente do quilate de Giulia Gam, Mariana Lima, Paul César Pereio e até José Celso Martinez Correa como Meu Velho). A obra tem várias passagens muito boas, mas a que mais me impressionou foi a viagem lisérgica de Jonas - muito bom. O filme é beeeeem bacana,bastante rico e autoral, Curti e recomendo.

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