• hikafigueiredo

"A Câmera de Claire", de Hong Sang-soo, 2017

Filme do dia (246/2020) - "A Câmera de Claire", de Hong Sang-soo, 2017 - Durante o Festival de Cannes, a tímida Manhee (Kim Min-hee), a qual ali se encontrava a trabalho, é dispensada por sua chefe sob a alegação de desonestidade, sem que maiores explicações lhe fossem dadas. O encontro com uma turista parisiense - Claire (Isabelle Huppert) - fará com que Manhee entenda as razões por trás de sua demissão.





Hmmm. Vou começar sendo bem direta - não foi um filme que me agradou. Entendo que tenha algumas virtudes, mas fiquei com a clara impressão de "é só isso?" ao fim da história. Em linhas bem gerais, a obra trata de como a protagonista constrói seu entendimento acerca do momento em que vive, mais especificamente sobre o que levou à sua demissão. O diálogo propositalmente truncado e constrangedor entre Manhee e sua chefe, para mim, foi o melhor do filme, É impossível extrair, daquele diálogo, as razões para a dispensa da jovem, que aceita a decisão de sua superior sem entender. A compreensão, para o espectador, virá na forma de outro diálogo da chefe com o diretor de cinema So. Já para Manhee, o entendimento virá, pouco a pouco, através da interação da personagem com a parisiense Claire e, principalmente, através das fotografias que Claire tira com sua Polaroid. Uma coisa que eu achei interessante na história, é a ideia que Claire tem de que, após uma fotografia, tudo muda, o fotografado muda, a realidade se modifica - e, de certa forma, isso acontece na narrativa, pois foi através das imagens de Claire que tudo mudou para Manhee. Mas, para mim, o argumento - e, consequentemente, o desenrolar de toda a história - é banal demais e a forma minimalista como o diretor constrói a narrativa não ajudou, minimamente, a que eu me sentisse envolvida. Em outras palavras, eu me senti à margem do filme, não por não entendê-lo, mas por não conseguir me ligar àquela história. Não senti a narrativa fluída, eu tive a impressão que ela acontecia meio aos trancos. O ritmo é lentíssimo e são várias as cenas de silêncio incômodo (algo que eu não suporto nem na vida real, quiçá em um filme). O tempo é não-linear e, por vezes, eu não consegui compreender em que momento a ação se passava (o que vinha antes, o que vinha depois, ficou meio confuso para mim). O filme tem uma fotografia clara, um pouco sem contraste para o meu gosto, evidentemente calcada na luz natural. Há pouca trilha sonora e o diretor aposta em planos silenciosos, algo que também me incomodou. Tudo é extremamente minimalista, o diretor levou ao pé da letra a máxima "menos é mais". O que me agradou mais foi a interpretação sincera da atriz Kim Min-Hee que entrega uma Manhee tímida, um pouco confusa, mas muito doce e simpática. A personagem Claire não me disse muito - eu a achei meio chata, a forma invasiva como se aproximava das pessoas, os muitos silêncios em torno dela, eu a achei incômoda. Destaque negativo: a cena da festa e o piti do diretor So - o que foi aquilo, por Deus? O que acrescentou à história e porque a personagem não mandou o diretor para aquele lugar? Nossa, cena que me tirou do sério... É, esse foi um filme que não me falou à alma, não me disse nada, não me envolveu, pfff, 68 minutos de um profundo nada. Eu não curti e nem recomendo.

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