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  • hikafigueiredo

“A Criação dos Humanoides”, de Wesley Barry, 1962

Filme do dia (92/2023) – “A Criação dos Humanoides”, de Wesley Barry, 1962 – Após uma intensa guerra nuclear com apenas 48 horas de duração, 90% da espécie humana foi dizimada. Os humanos restantes desenvolveram a robótica e a informática, criando robôs que imitavam, com grande perfeição, a forma humana. Nesse panorama, surgem os conflitos entre os humanos e os robôs, os primeiros se unindo contra um hipotético triunfo das máquinas sobre os homens.





Confesso que tive certo receio em assistir a esse filme, não só pelo título, mas, também, pelo selo “filme B” a ele relacionado. Pois fui positivamente surpreendida pela obra. Sem dúvida é um filme de baixíssimo orçamento, parcas condições de filmagem e elenco desconhecido, mas o tema e a forma como foi explorado foram bastante satisfatórios, Numa realidade pós-apocalíptica, quando os próprios humanos praticamente dizimaram a espécie, os poucos sobreviventes desenvolveram robôs semelhantes aos humanos para auxiliá-los nas tarefas de reconstrução e manutenção das cidades. Devido à radiação, a taxa de natalidade restou irrisória e boa parte dos nascimentos resultavam em crianças com deformidades incompatíveis com a vida. Percebendo que os robôs humanizados suplantariam os humanos, parte da população passou a combatê-los, criando movimentos para conter seus direitos e suas ações. Por incrível que pareça, a obra faz uso destas temáticas para dar início a algumas discussões bastante filosóficas, tais como a essência da humanidade, a existência de uma força superior, o que diferenciaria os humanos dos robôs humanoides, a existência de uma alma humana, as questões morais que não impedem que os seres humanos atentem contra seus pares e contra si próprios, os limites da ciência, o uso ético da ciência, dentre outras questões. Claro que as discussões não são aprofundadas, até pela pouca duração da obra (84 minutos), mas certamente servem como “start” para uma roda de conversa. Algumas questões levantadas, inclusive, foram retomadas posteriormente em filmes como “Blade Runner – O Caçador de Androides” (1982), “Eu, Robô” (2004) e “Ex-Machina” (2015) – não duvidaria que esse filme tenha inspirado algumas ideias destas obras. Por outro lado, se os temas e discussões por detrás do filme são incrivelmente interessantes, atuais e filosóficos, o formato é beeeeeem “filme B”. Realizado totalmente dentro de um estúdio, com um desenho de produção bem primário (lembrando muito as séries televisivas da década de 60, como “Jornada nas Estrelas” e congêneres), fotografia “chapada” e sem brilho, sem nuances, abusando de planos médios, numa linguagem bem convencional e sem criatividade, a obra não prima pela forma. As interpretações também não são dignas de Oscar, mesmo se levarmos em conta que boa parte dos personagens são robôs com formas humanas. O elenco traz Don Megowan como Capitão Cragis, Erica Elliott como Maxine, Frances McCann como Esme e Don Doolittle como Dr. Raven – todo mundo bem ruinzinho, declamando suas falas como em uma peça de escola e com a expressividade de um pepino – sofrível. Ah, um detalhe que vale a pena destacar. Há uma cena em que uma personagem feminina é remoldada, recebendo um corpo mecânico, no lugar de seu corpo biológico. Nesta cena, os robôs comentam que a fizeram mais magra, porque ela tinha tendência a engordar – gente, nem como robô humanoide as mulheres têm sossego, nós sempre somos tratadas como objeto e julgadas pela aparência, é de f... !!!!! Mas, excetuando esse exercício de misoginia, o filme é muito interessante e abre muito espaço para discussões e divagações. Duvido que seja muito fácil de achar, mas recomendo!!!!

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