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"A Excêntrica Família de Antônia", de Marleen Gorris, 1995

Filme do dia (171/2018) - "A Excêntrica Família de Antônia", de Marleen Gorris, 1995 - Antônia (Willeke van Ammelrooy) é a matriarca de uma família composta por parentes de sangue a agregados que, ao longo de cinquenta anos, constrói uma bela história de afeto, apoio e generosidade.





Discorrendo sobre o fluxo da vida, sobre a morte e sobre a (im)permanência, o filme exala poesia por todos os poros. É uma dessas obras que alcança dois níveis de compreensão - a racional e a puramente emocional. No que se refere à compreensão "intelectual", temos a linda narrativa sobre a história de Antônia desde seu retorno à sua vila natal, após a morte de seu marido. Com uma filha a tiracolo, Antônia retorna para suas terras e ali se instala para "tocar a vida". Forte e cheia de atitude, Antônia rapidamente impõe respeito entre os aldeões e sua personalidade marcante acompanhará a história de toda a sua descendência. Antônia não se curvará ante a crueldade, a injustiça e o machismo e fará com que a generosidade, a justiça e o afeto firmem raízes nas suas terras, acolhendo e apoiando os rejeitados e incompreendidos, formando uma grande e excêntrica família. No que tange à compreensão "afetiva", a obra consegue transmitir sensações de reconhecimento, acolhimento e comunhão. É um filme extremamente "feminino", no sentido em que versa sobre o fluxo de nascimento e morte, sobre os laços de afeto e confiança, sobre o ritmo da natureza e da vida, sobre a passagem do tempo e o que "vai" e o que "fica". Além disso, o filme é feminino na medida em que o protagonismo está todo concentrado nas personagens femininas - são as mulheres que regem os movimentos e as decisões da história, relegando os homens a um papel secundário. É uma obra profunda em tantos níveis que quase "afoga" o espectador em emoções e racionalizações (que eu acho que não estou sabendo lidar... rsrsrsrs). Nem precisa dizer que eu amei, né? Eu estou completamente tomada pelo filme!!!! A narrativa ocorre em um grande flashback, pontuada pela narração em off de uma das descendentes de Antônia. O roteiro é amarradíssimo e construído, delicadamente, através dos eventos que ocorrem na família e na vila. A história tem os dois pés no realismo fantástico e essa característica é reforçada pelos olhares de Danielle, filha de Antônia, e Sarah, bisneta da matriarca. Adorei a força que emana das mulheres da família, muito realçada através da interpretações de ótimas atrizes, com destaque para a excepcional Willeke van Ammelrooy como Antônia, Els Dottermans como Danielle, Veerle van Overloop como Therese e pela expressiva Thyrza Ravesteijn como a pequena Sarah. O filme, maravilhoso, foi agraciado com Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1995. Imperdível, é filme para ser apreciado com cuidado.

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