• hikafigueiredo

"A Ghost Story", David Lowery, 2017


Filme do dia (37/2019) - "A Ghost Story", David Lowery, 2017 - Um homem recém-falecido (Casey Affleck) retorna, em espírito, para a sua residência e passa a acompanhar o luto de sua companheira (Rooney Mara).





Quando pensamos em um filme sobre fantasmas, imediatamente imaginamos um filme de terror, com muito suspense e sustos. No entanto, obras como "Ghost: Do Outro Lado da Vida" (1990) demonstram que podemos dar outra roupagem a estas obras, subvertendo completamente essa ideia inicial. E este é o caso de "A Ghost Story". Se o filme de 1990 fincava o pé no romance e ainda deixava um espaço para o alívio cômico, "A Ghost Story" envereda pelo terreno do drama, com forte apelo metafísico e filosófico. Assisti ao filme e, na minha opinião, ele pode ser "recebido" de duas formas: digamos que uma "literal-metafísica" e outra "filosófica-metafísica". Na leitura literal, a obra trata da trajetória do fantasma desde seu desencarne até o que interpretei como a aceitação de sua morte. Por esta leitura, não vejo grandes pontos a elucubrar. Já na leitura filosófica, a figura do fantasma toma outros moldes, pois ela pode ser interpretada como representação - representação da memória, da ausência, da dicotomia permanência/impermanência ao longo do tempo, do luto, da espera, da solidão, da morte. Aqui, abre-se um leque riquíssimo de possibilidades de diferentes interpretações e reflexões que, se aprofundado, daria uma tese de mestrado rs. Apesar de não conseguir abarcar nem um décimo da leitura possível, gosto mais desta segunda concepção de "olhar" e, por ela, afirmo que a obra é bastante profunda - muito mais do que o nome poderia sugerir. Independente da leitura que se faça, o filme é, antes de tudo, sensível e muito, MUITO, melancólico. O fantasma é uma figura triste, solitária, passiva, que a tudo observa sem grandes possibilidades de ação ou participação. Para mim, a questão do tempo - que para o fantasma é muito mais "fluido" que para os vivos, como um grande caldeirão de tempo onde as coisas acontecem quase simultaneamente - gerou uma dose grande de angústia. O fato do fantasma também estar preso àquele local e à história daquele espaço também me causou um peso "aqui" dentro, uma tristeza quase infinita. O filme trata muito da solidão, do estar só no universo, da ideia de que nossa trajetória é única e pessoal. Sim, ao menos para mim, o filme foi bastante angustiante e sensorial. Gostei bastante da concepção formal do fantasma - acho que o filme teria perdido muito se o fantasma tivesse forma humana e expressão facial; sua presença espectral, impassível, dá um peso extra na imagem do fantasma. Gostei muito também da canção-tema, muito propícia. O filme me arrebatou, mexeu muito comigo e eu o adorei. Recomendadíssimo!!!! (Queria falar muito mais da obra, mas daria muito pano para a manga, o texto ficaria gigante e ninguém iria ler...

:/ ).

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