• hikafigueiredo

"A Jovem Rainha Vitória", de Jean-Marc Vallée, 2009

Filme do dia (198/2018) - "A Jovem Rainha Vitória", de Jean-Marc Vallée, 2009 - Inglaterra, 1837. Aos 17 anos, a princesa Vitória (Emily Blunt), a herdeira legítima do Rei William da Inglaterra, é envolvida pelas inúmeras disputas políticas envolvendo seus familiares, dentre os quais, sua própria mãe. Após a coroação, enquanto lida com conchavos e rivalidades políticas, Vitória luta para firmar-se como monarca justa e competente, oportunidade em que se apaixona por seu primo, o príncipe Albert (Rupert Friend).





O drama histórico retrata os primórdios do reinado da rainha Vitória, mostrando o lado pouco glamouroso da monarquia, onde todas as relações apoiam-se em interesses políticos ou financeiros. Se por um lado, a história da rainha aparece ultra romanceada - aham que a rainha dava banho em seu próprio cachorro, nem eu faço isso!!!! -, por outro é interessante vê-la retratada como uma pessoa (quase) comum, provida de sentimentos, receios e anseios como qualquer um, praticamente torturada por não saber em quem confiar e a quem se apegar, visto até sua própria mãe ter interesses escusos relacionados à sua pessoa. O filme mostra como, sob certos aspectos, nascer e crescer como herdeira de um trono pode ser quase uma maldição: okay, você não precisará sequer abotoar sua própria roupa e jamais te faltará teto ou alimento, mas, por seu turno, você jamais terá certeza dos sentimentos de qualquer um por você, viverá, eternamente, em meio a interesses, sob o risco de te tirarem a vida e limitada por um complexo e rígido protocolo - vamos combinar que isso não é vida, prefiro mil vezes ser uma plebeia!!!! A narrativa, em tempo cronológico, é bem tradicional. A obra é um deleite para os olhos - não bastasse a bela fotografia, límpida, luminosa, a direção de arte é caprichadíssima, tendo concorrido ao Oscar na categoria e sendo agraciada pelo Oscar de Melhor Figurino. Quanto às interpretações, Emily Blunt deu mostras de seu talento - apesar do roteiro não exigir nenhuma montanha-russa emocional e a personagem ter uma existência limitada pelo protocolo e necessidades do cargo, algumas cenas puderam mostrar um pouco do conflito interno da "pessoa" Vitória, como a cena do jantar real onde o rei, seu tio, humilha sua mãe, e Vitória, como futura rainha e devendo obediência ao rei, precisa dar aquele sorriso amarelo e fazer cara de paisagem, e Emily Blunt saiu-se bastante bem por ocasião de tais cenas. Destaque, ainda, para Rupert Friend como príncipe "fofo", Miranda Richardson como mãe bruxa e Paul Bettany como conselheiro real. Filme bem bonitinho, fácil de ver, recomendo.

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