• hikafigueiredo

"A Juventude", de Paolo Sorrentino, 2015

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (76/2019) - "A Juventude", de Paolo Sorrentino, 2015 - Em um luxuoso hotel localizado nos alpes suíços, o maestro aposentado Fred Ballinger (Michael Cane) passa os dias de sua velhice na companhia do amigo Mick Boyle (Harvey Keitel), um cineasta ainda na ativa buscando inspiração para seu derradeiro filme. Juntos, relembram passagens de suas vidas e dos anos de amizade.





Nesta obra, Paolo Sorrentino começa jogando um olhar melancólico para a vida e a maturidade. O filme parece indicar que a juventude é o momento de errar muito e desperdiçar a vida e, a velhice, o momento de identificar os equívocos, perceber a impossibilidade de revertê-los e lastimar o desperdício e a finitude da vida. Mas, ao mesmo tempo em que lança tal olhar melancólico, a obra também celebra o tempo que temos, tempo esse de amar, emocionar-se e se dedicar ao que importa, seja lá o que for. O filme, ainda, demonstra que a vida deve ser vivida na sua plenitude, até seu último segundo e qualquer desperdício ou apatia deve ser deixado de lado. Por fim, o filme celebra, como era de se esperar, a juventude - não apenas a física, mas, também a emocional, a juventude de espírito, a capacidade de se inovar, recomeçar, insistir, se emocionar, ousar, não se entregar, apaixonar e se entregar. Este é um filme complexo, quase bipolar, pois rico em discussões e emoções, a melancolia inicial dando, aos poucos, espaço para celebração de tudo. Como em "A Grande Beleza" (2013), há, ao longo da narrativa, muito "falatório", muitos diálogos que mereceriam um olhar mais atento, um pensamento mais profundo e uma absorção mais sensorial - talvez valha muito à pena rever a obra duas ou três vezes seguidas para aproveitá-la melhor. Algumas percepções: a celebração da juventude na figura da terapeuta corporal - a moça está longe de ser o padrão comum de beleza física, mas mostra-se linda e radiante pela sua juventude, sua entrega à vida, sua "fluidez"; a celebração da liberdade e da ousadia de se lançar à vida na figura do escalador; a celebração do recomeço, da "mudança de rumo" e da capacidade de "virar a página" na figura de Lena e de Jimmy; a celebração da capacidade de não se entregar, apesar das dificuldades enfrentadas, e de se apegar às suas paixões na figura de Diego Maradona. É, é uma obra que celebra muitas facetas da vida, tudo envolto em muita poesia e sensibilidade, impossível dar conta aqui de tudo. Formalmente, o filme tem uma fotografia linda, com destaque para alguns planos com sofisticadas posições de câmera e movimentação de atores belamente orquestrada. A trilha sonora acompanha a delicadeza da obra. Quanto às interpretações, com gente do quilate de Michael Cane e Harvey Keitel, é mais que evidente que não tem como dar errado. Michael Cane interpreta Fred com sutileza - a passagem da apatia inicial para um reencontro com suas paixões é lenta e bastante gradual; Harvey Keitel interpreta um Mick muito mais radiante que, num caminho contrário ao do amigo, desilude-se com seus sonhos; Rachel Weisz foi sub-utilizada na obra, mostrando pouco do talento que tem de sobra; Paul Dano - de quem sou fanzaça, acho-o um super ator - interpreta com emoção seu Jimmy, um ator frustrado por ser lembrado por um único e desprezível papel; no elenco, ainda, uma ponta de Jane Fonda; a magnética Luna Mijović como a tal terapeuta corporal que, mesmo longe dos padrões estabelecidos, brilhou com sua beleza exótica; Robert Seethaler como o escalador esquisitão e Rolly Serrano como um decrépito mas ainda talentoso Maradona. Admito que gostei mais de "A Grande Beleza", mas, ainda assim, achei a obra um filmaço subestimado. Linda obra, recomendadaça!!!!!

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