• hikafigueiredo

"A Linguagem do Coração", de Jean-Pierre Améris, 2014

Filme do dia (34/2018) - "A Linguagem do Coração", de Jean-Pierre Améris, 2014 - França, final do século XIX. Chega a uma instituição religiosa para ensino de meninas surdas, a jovem Marie Heurtin. Surda e cega, a pequena Marie, de 14 anos, vive trancada em seu corpo, sem qualquer compreensão ou conexão com o mundo externo. Agressiva, praticamente selvagem, Marie rejeita qualquer contato que não seja com seus pais. Mas a devoção da freira Marguerite irá mudar o destino da garota.





Nesse belíssimo filme biográfico temos uma pequena mostra da devoção de uma pessoa ao ensino e da ânsia de uma jovem em aprender. A irmã Marguerite, a despeito de ser portadora de uma grave doença pulmonar, assumiu, como missão de vida, a tarefa de retirar Marie das trevas e do silêncio e conectá-la com o mundo exterior e Marie, apesar de todas as suas deficiências e dificuldades, buscou, sedenta, o conhecimento. A história é bastante similar à de Hellen Keller e sua professora Anne Sullivan (imortalizada pela obra "O Milagre de Anne Sullivan") e igualmente emocionante. Nos dois filmes, o momento em que as meninas compreendem que as coisas têm nome e que é possível se comunicar com o outro é quase catártico. Apesar da similaridade das duas histórias, os filmes são bastante diferentes. Enquanto "O Milagre de Anne Sullivan" é visceral (muito por conta das impressionantes interpretações de Anne Bancroft e Patty Duke, agraciadas com o Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente), "A Linguagem do Coração" é delicado, poético e apoia-se na relação de afeto e confiança desenvolvida entre a professora e sua pupila. A obra é extremamente sensível e a cena final é de uma poesia rara (encheu meus olhos de lágrimas, não de tristeza, mas de pura emoção). É um filme bonito visualmente, em especial nas cenas externas, quando a personagem Marie interage com a natureza (a cena da neve é linda!!!). A interpretação de Isabelle Carré como irmã Marguerite é correta, mas não "encheu meus olhos". Já a jovem Ariana Rivoire, que interpreta Marie, estava, na minha opinião, estupenda e ela é responsável por boa parte da alma do filme. A obra é bela, bela, bela, gostei demais e recomendo.

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