• hikafigueiredo

"A Máscara do Demônio", de Antonio Margheriti, 1965

Filme do dia (306/2021) - "A Máscara do Demônio", de Antonio Margheriti, 1965 - Europa, final do século XV. Uma mulher é injustamente acusada de bruxaria e condenada à morte na fogueira. Antes de morrer, no entanto, ela lança uma terrível maldição nos senhores feudais que decidiram pela sua morte. Muitos anos depois, é chegada a hora da vingança.





Tenho de dizer que está difícil, está complicado. Seguindo a tarefa de assistir aos filmes de um box de terror italiano, deparo-me com esta obra. O argumento, não obstante nada original, abre um leque de ótimas possibilidades de desenvolvimento - terror válido, para mim, discorre sobre o sobrenatural e bruxas e maldições encaixam-se muito bem no tema. O primeiro arco da obra promete - a mulher acusada de bruxaria, em um verdadeiro labirinto de fogo, sobe até uma cruz erigida no meio da estrutura em chamas e lança a maldição. O problema é o roteiro que se segue - algumas boas ideias mal aproveitadas e outras que sequer chegam a isso sucedem-se numa costura frouxa e sem unidade. A superficialidade dos personagens é grosseira - em mais de uma cena vemos o personagem dizendo que não fará algo e, logo na cena seguinte, ele faz o que se negara a fazer, sem qualquer transição. A aversão da personagem Lisabeth pelo senhor feudal Kurt, que a obriga a desposá-lo, magicamente torna-se "algo" - nem sei dizer o quê, mas, é certo que foi completamente repentino. E assim segue o filme - aos saltos, com ações e mudanças estanques, sem nenhuma suavidade ou fluidez. O desfecho surpreende zero espectadores. O que é mais incrível é que, mesmo com esse roteiro mambembe, o filme é hábil em criar atmosfera de tensão e impor apreensão no espectador, o que me deixa indignada por aproveitar tão mal esse elemento vital para um filme de terror. A obra traz uma fotografia P&B muito contrastada, aproveitando bem os recortes de luz e sombra nos ambientes internos do castelo onde a trama se desenvolve. Alguns travellings laterais me chamaram a atenção, pois não muito comuns neste nicho de terror gótico italiano. A trilha sonora estridente e óbvia também me desagradou. O elenco principal traz a musa do gênero, Barbara Steele, no papel de Helen/Mary Karnstein - por mais que ela tenho feito fama no terror italiano e realizado uma série enorme de filmes no país, eu a acho bem fraca e pouco convincente; Halina Zalewska interpreta Lisabeth e mesmo que não seja uma grande atriz, ela sobressai entre os colegas de elenco; George Ardisson interpreta Kurt e, vou te dizer, poucas vezes vi um ator tãããão canastrão na vida (em uma cena em especial, ele sai olhando para os lados, para cima, sem nada que justificasse a conduta, eu quase tive uma crise de riso, tamanha a canastrice). Pessoal, o filme é ruim, hein, a ponto de desperdiçar até o que teve de bom (a atmosfera e o argumento). A não ser que você esteja fazendo sua tese de pós-graduação no tema ou mapeando os filmes do gênero para algum trabalho, foge... mas foge com gosto, sem arrependimento.

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