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"A Pequena Loja da Rua Principal", de Ján Kadár e Elmar Klos, 1965

Filme do dia (62/2018) - "A Pequena Loja da Rua Principal", de Ján Kadár e Elmar Klos, 1965 - Tchecoslováquia, 1942 - Com a conquista da Tchecoslováquia pelo exército alemão, começa a perseguição aos judeus no país. O carpinteiro Tono (Jozef Kroner) é destacado para ser o "supervisor ariano" de uma pequena loja de botões de uma viúva judia bastante idosa, Sra. Lautmann (Ida Kamińska). Mas talvez ele não seja a pessoa mais adequada para assumir a função.





A obra, ganhadora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1966, retrata o horror da perseguição aos judeus pelos nazistas a partir do ponto de vista do personagem. Tono recebe a nova atribuição com animação, mas, ao se deparar com a viúva idosa, bondosa e acolhedora, passa a remoer-se de culpa e não consegue assumir a função como o governo nazista esperava. Dividido entre ganância e remorso e entre o afeto pela velha senhora e seu instinto de sobrevivência, Tono terá atitudes contraditórias e, por vezes, moralmente condenáveis. Não se iluda com o começo leve, quase cômico do filme - essa atmosfera leve, paulatinamente, cederá espaço a um clima tenso e pesado. Diria, inclusive, que essa transição muitíssimo bem realizada é o maior mérito da obra, pois não há, em momento algum, um "salto" do tom leve e cômico para o extremo do drama. É um filme que, ao final, desperta angústia e ansiedade no espectador, portanto, prepare-se para sofrer. Destaque para a ótima fotografia P&B, incluindo, aí, os enquadramentos sofisticados que têm clara função dramática na narrativa. Com relação às interpretações, Jozef Kroner está muito bem como o homem torturado e dividido, que tem afeto pela judia idosa, mas, ao mesmo tempo, é impelido pela esposa mesquinha e materialista a assumir a função que lhe é imposta pelo governo invasor. Já Ida Kamińska desperta compaixão extrema como a idosa quase surda e meio senil, completamente desprotegida, que tem, em Tono, seu "fiel ajudante". Olha, é um filme muito bom, que demora um pouco para engrenar (o início leve me parece bastante deslocado, dado o tema), mas, depois que pega ritmo, arrasa. Recomendo.

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