• hikafigueiredo

"Academia de Heróis", de Tom Jeffrey, 1979

Filme do dia (17/2022) - "Academia de Heróis", de Tom Jeffrey, 1979 - Um grupo de soldados das Forças Especiais Australianas é encaminhado ao front na Guerra do Vietnã, onde conhecem o companheirismo e a morte.





Essa obscura produção australiana traz a Guerra do Vietnã sob a perspectiva dos soldados das Forças Especiais daquele país, mas pouco inova com relação a outras obras "chapa branca" acerca da guerra. Com certa decepção, verifiquei que o filme é outro que romantiza o combate armado e, ainda mais, a amizade e companheirismo entre os soldados. Quem assiste a essa obra acaba com a impressão de que a guerra é uma festa e, o acampamento militar, uma colônia de férias - na história, os soldados passam mais tempo bebendo, jogando e fazendo arruaça do que lutando e não sei bem o que me soa pior. Claro que há cenas da batalha, mas elas parecem um pouco mais "assépticas" do que acredito seja um front. Os personagens e os comandantes também me pareceram um pouco civilizados e educadinhos demais para quem está comendo o pão que o diabo amassou num combate, então, já ficou evidente que achei tudo muito fake, muito perfumado, para o meu gosto. Já mencionei que filme de guerra, na minha opinião, tem que mostrar a "podreira" que é ter permissão para matar pessoas indistintamente e qualquer coisa diferente disso, para mim, não cabe. Ainda mais se tratando da Guerra do Vietnã, um dos embates mais absurdos e obscenos da história da Humanidade (e que eu nem sabia que a Austrália havia participado - tsc, tsc, tsc... shame on you!). A narrativa é linear, em ritmo moderado e constante. A atmosfera é mais relaxada do que eu esperava, com poucos momentos de tensão - há inclusive, cenas com certo humor, algo que não me desceu muito bem. O foco da obra está na amizade que se desenvolve entre os recrutas, e no ambiente extremamente salutar de um acampamento militar (contém ironia). Tecnicamente é um filme okay - não decepciona, mas, tampouco, merece louros pelo trabalho desenvolvido. A linguagem é absolutamente convencional - o que me surpreendeu, já que tudo o que eu havia assistido do cinema australiano até então sempre se mostrou bastante autoral (pelo menos aqui não mataram nenhum canguru!). O elenco é composto por Graham Kennedy como Harry, John Hargreaves como Bung e John Jarrat como Bill, dentre outros personagens que nem o nome consegui fixar - aliás, tirando algumas poucas informações sobre estes três personagens, os soldados compõem uma "massa" indistinta, não há qualquer aprofundamento acerca deles. A obra não é péssima, mas vai ser um milagre se eu conseguir me recordar dela dentro de uma ou duas semanas, pois ela é isso, uma obra esquecível. Não recomendo não, achei bem fraco.

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