• hikafigueiredo

"Amor Sem Escalas", de Jason Reitman, 2009

Filme do dia (131/2021) - "Amor Sem Escalas", de Jason Reitman, 2009 - Ryan Bingham (George Clooney) é um executivo especializado em dispensas - ele é contratado por grandes empresas para dispensar funcionários em momentos de crise. Para tanto, ele passa mais tempo viajando do que na cidade onde - em teoria - reside. Metódico e impessoal, Bingham não tem quaisquer amarras, lastros ou compromissos com quem quer que seja. Quando Natalie (Anna Kendrick), uma nova funcionária, é destacada para acompanhá-lo, ele precisa comprovar que seu método de trabalho é insubstituível. Paralelamente a isso, ele se envolve com Alex (Vera Farmiga) - uma versão "de saias" dele próprio.





O título em português - péssimo, diga-se de passagem - dá a falsa ideia de que o filme se trata de um romance ou, pelo menos, de uma comédia romântica. Nada mais falso. Não que não existam alívios cômicos - ah, sim, eles estão lá - bem como um toque (modesto) de romance, mas, na realidade, o filme se trata de um drama acerca das escolhas pessoais de cada um. A obra traz explícita uma questão: o que tem importância na vida de uma pessoa? O que motiva alguém para que ele persista em sua caminhada? Em que vale a pena depositar afetos, planos e intenções? O filme traz dois extremos: de um lado, Natalie que, muito embora sua competência profissional, opta por fazer suas escolhas a partir de uma perspectiva emocional. Para ela, seguir seu coração, fazer projeções acerca de seus relacionamentos amorosos e criar laços é o que importa; De outro, Bingham, que vive para seu trabalho e não cria laços de afeto com ninguém, nem mesmo com sua família. Para ele, liberdade para ir e vir, não ter responsabilidade emocionais, nem lastros que o prendam é o que faz sentido. O contato entre os dois extremos fará com que Natalie e Bingham entrem em conflito, mas também fará com que ambos revejam seus comportamentos e prioridades. Correndo por fora, temos, ainda, Alex, de certa forma, um contraponto aos dois polos mencionados. Acho curioso como se dá o desfecho da relação entre Bingham e Alex, bem na contramão do que vemos, usualmente, na realidade (sem spoilers). Eu diria que o filme tem dois pilares - o roteiro (adaptado de uma obra literária) e as interpretações. O roteiro é interessantíssimo justamente por escapar do muito óbvio - sim, existem soluções previsíveis... mas nem todas, há espaço para surpresas ali; quanto às atuações, o trio Clooney, Farmiga e Kendrick se sai muito bem, com interpretações contidas, discretas e muito competentes. E o filme ainda traz a participação especial de intérpretes de peso como J. K Simmons, Sam Elliott, Zach Galifianakis e Melanie Lynskey. A trilha sonora também merece algum destaque, em especial a música de abertura "This Land is Your Land" - muito boa! A edição, que brinca, principalmente no início do filme, com o comportamento metódico de Bingham, traz um ritmo alegre e divertido às primeiras cenas da obra. Ainda que o filme tenha sido praticamente esquecido, a produção fez sucesso no ano de seu lançamento, tendo sido indicada para inúmeros prêmios, dentre os quais Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante para Farmiga e Kendrick, Melhor Ator, Filme e Diretor, dentre outros, chegando a ganhar O Globo de Ouro e o BAFTA, ambos por Roteiro Adaptado. O filme é uma obra bem melhor do que faz supor o nome e propicia uma reflexão bacana acerca das nossas escolhas pessoais. Eu gosto da obra e recomendo.

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