• hikafigueiredo

"Ao Cair da Noite", de Trey Edward Shults, 2017

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (70/2019) - "Ao Cair da Noite", de Trey Edward Shults, 2017 - Em um mundo pós-apocalíptico, uma doença misteriosa causa dor e sofrimento às suas vítimas. A tal doença é transmitida por simples contato social, o que leva grupos humanos a se isolarem dos demais. Nessa realidade, Paul (Joel Edgerton), sua esposa Sarah (Carmen Ejogo) e seu filho Travis (Kelvin Harrison) isolam-se em uma residência em meio à floresta. A chegada de um estranho acende as suspeitas e o espírito de sobrevivência daquela família.





Li críticas atrozes do público em relação a esse filme. Os espectadores acusaram a obra de não ter pé nem cabeça, de não ter sustos, de não chegar a lugar algum. Entendo que a experiência cinematográfica é pura fruição, e o que funciona para um não necessariamente vai funcionar para outros. Mas, independente disso, percebo que o público médio é, antes de tudo, um preguiçoso. Antes que eu seja tão xingada quanto o filme, explico: o espectador médio quer filmes que não exijam qualquer esforço, seja intelectual, seja emocional. O filme ideal, para esse público, é aquele que se autoexplica, que não dê trabalho, que já venha "mastigado", se possível, "digerido". É uma pena, pois esse espectador perde o melhor da experiência cinematográfica, seja a construção intelectual do que foi visto, seja o "se deixar levar" sensorial. Neste filme temos um típico exemplo da segunda situação: uma narrativa que exige que o público se entregue e "viva" aquela situação junto com os personagens. A obra é a mais pura experiência sensorial e um legítimo representante do terror psicológico. Para quem consegue se colocar na pele dos personagens e "ver" o filme com os olhos deles, a obra é apavorante, absolutamente agoniante, com um componente claustrofóbico fortíssimo. Sim, existem questões não respondidas no filme - mas isso só torna a agonia dos personagens maior, pois o que não está respondido para nós, também não está para eles e é justamente um dos elementos que causam apreensão na narrativa. A obra já seria ótima só pela experiência emocional que proporciona, mas tem mais - o filme discorre, também, acerca da natureza humana e dos preceitos éticos envolvidos quando o ser humano se vê em uma situação limite. Sabe aquela história de fraternidade, ética, respeito pelo próximo ? Esqueça, caso a pessoa acredite estar em perigo iminente - "farinha é pouca, meu pirão primeiro". O ser humano pode se tornar mais selvagem que qualquer animal irracional quando colocado em situação extrema - e o filme não deixa dúvidas quanto a isso. O filme é escuro, sombrio, mas não espere "jumpscare" - o terror é quase totalmente psicológico, não tem sustos e praticamente nenhum sangue. As interpretações estão a contento, mas nada que mereça grande destaque. O filme é beeeeem bacana, desde que o espectador saiba assistir a ele. Entregue-se e a experiência será incrível.

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