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"As Bruxas" de Luchino Visconti/Mauro Bolognini/P. P. Pasolini/Franco Rossi/ Vittorio de Sica, 1967

Filme do dia (147) - "As Bruxas" de Luchino Visconti/Mauro Bolognini/Pier Paolo Pasolini/Franco Rossi/ Vittorio de Sica, 1967





O filme junta cinco pequenas histórias que abordam personagens femininas, sempre com Silvana Mangano como personagem principal: 1. "A Bruxa Queimada Viva", de Luchino Visconti - Gloria (Silvana Mangano) é uma atriz de sucesso que tira um dia longe dos paparazzi. Crítica ao culto à imagem e à fama, retrata a inveja e como a mulher é tratada como objeto na sociedade. Apesar de ser dirigido pelo mestre Visconti, a obra apresenta falhas técnicas básicas - como pulo de eixo - além de apresentar uns movimentos de câmera datados e extremamente desnecessários. 2. "Senso Cívico" de Mauro Bolognini - Um homem sofre um acidente de carro e uma mulher elegante e misteriosa se oferece para levá-lo ao hospital. O filme mostra a hipocrisia e a desídia com o próximo. 3. "A Terra Vista da Lua", de Pier Paolo Pasolini - Um homem perde a esposa e, ainda no cemitério, passa a procurar uma mulher que assuma o lugar dela. É rejeitado seguidamente, até que conheça Assurda, que aceita casar com ele. Filme com viés tragicômico, seus personagens são propositalmente caricatos e remete o espectador aos filmes mudos do começo do século XX. A obra, ainda, faz uma discreta e singela homenagem ao gênio Charles Chaplin, não apenas em alguns trejeitos do personagem, como pela casa onde vive, inspirada no barraco do personagem de "Tempos Modernos", e pelo quadro do ator que aparece, em dado momento, preso à parede. 4. "A Siciliana", de Franco Rossi. Uma jovem conta a seu pai sobre o desprezo de um antigo pretendente por ela, despertando um desejo de vingança no pai. O filme discorre sobre como uma ação violenta desencadeia outras tantas tão ou mais trágicas. 5. "Uma Noite como as Outras", de Vittorio de Sica - Giovanna (Silvana Mangano) é casada com o frio e desinteressado Charlie (Clint Eastwood). Enquanto Giovanna vive sua vida modorrenta e desprovida de qualquer emoção, ela imagina dar um basta em tudo, criando, em sua imaginação, cenas de explosão emocional onde expõe ao marido toda a sua insatisfação e frustração. Contando com a ótima atuação de um belíssimo Clint Eastwood, a obra retrata o tédio e como a sociedade "cala" as mulheres, que mantêm relações insatisfatórias apenas pelas aparências e por medo de serem rejeitadas. Ao fim das cinco historietas, bastante desiguais entre si, tive a sensação de que a obra foi criada apenas para celebrar a atriz Silvana Mangano - desconfio que ela era a atriz-celebridade do momento e fizeram o filme para aproveitar seu sucesso. Okay, ela é linda de morrer e mostrou, na obra, ser bastante versátil, mas, cá entre nós, meio excessivo, né? De qualquer forma, destaco "A Terra Vista da Lua" e "Uma Noite como as Outras" como as melhores histórias.

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