• hikafigueiredo

"Até Logo, Meu Filho", de Wang Xiaoshuai, 2019

Filme do dia (338/2020)- "Até Logo, Meu Filho", de Wang Xiaoshuai, 2019 - China, começo da década de 1980. Dois jovens casais e seus filhos pequenos, melhores amigos, terão suas vidas abaladas por um trágico acontecimento, o que levará a um longo afastamento entre as duas famílias.




Dramático e emocionante, o filme transcorre em dois níveis. No primeiro, temos o drama vivido pelas duas famílias que têm seus destinos cabalmente entrelaçados quando o filho pequeno de uma delas morre acidentalmente. No segundo, como pano de fundo, temos as profundas mudanças sociais e econômicas que ocorreram na China ao longo de 30 anos. Ainda que a história da família seja preponderante, é de suma importância, inclusive para os destinos das duas famílias, os acontecimentos relacionados ao país, que terão papel crucial na vida dos personagens - a China é praticamente mais um personagem na narrativa. A obra discorre sobre afetos, perda, culpa, arrependimento, superação e perdão e não poupa o espectador de uma boa dose de sofrimento. A narrativa é absolutamente não-linear, passeando por diversos momentos das duas famílias ao longo dos 30 anos mencionados. Inclusive, eu diria que a montagem fragmentada é um dos pontos fortes deste maravilhoso filme, pois forma um verdadeiro quebra-cabeça que o espectador, paulatinamente, precisa montar na sua mente. O diretor é hábil em brincar com segredos e revelações e até a cena final ainda restam surpresas a serem reveladas para o público. O ritmo é marcado e constante, não lembrando, em nada, a costumeira lentidão dos filmes orientais. A atmosfera é muito melancólica, ainda que não seja um filme que termine com o espectador querendo morrer de tristeza. Outra grande força do filme está nas interpretações dos atores, com destaque para Mei Yong como Liyun e Wang Jingchun como Yaojun - os dois são extremamente expressivos e conseguem transmitir muitas emoções com interpretações sutis e contidas, tendo, ambos, sido agraciados com o Urso de Prata em Berlim por suas atuações no filme. Destaque para a cena da revelação de Haohao e para a cena final (o olhar do personagem Yaojun não existe nesse planeta). O filme é simplesmente espetacular, profundo, poético, sensível - em suma, é O filme. Recomendo demais.

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