• hikafigueiredo

"Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino, 2009

Filme do dia (338/2021) - "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino, 2009 - França, década de 40. O país encontra-se ocupado pelo exército alemão. Nos EUA, um destacamento de soldados de origem judaica é formado e deslocado para a França. Seu objetivo - matar o máximo de soldados e oficiais nazistas possível.





É com vergonha que eu revelo que eu só havia assistido a esse filme uma única vez, no cinema, na época da estreia. Cara... que filme!!! Revê-lo para escrever sobre ele foi um prazer raro. Para quem jamais o viu (será que alguém não o viu?), vale cada um de seus 153 minutos, que passam num piscar de olhos. A obra é uma releitura histórica, um "como teria sido se", uma fábula sobre a Segunda Guerra e sobre vingança, com um desfecho completamente catártico. A história começa apresentando dois personagens-chave: o terrível Coronel Hans Landa, conhecido como "o caçador de judeus", um educado, cínico e impiedoso oficial nazista; e a jovem Shosanna, uma menina judia que teve sua família morta a mando de Landa. Passando para o arco seguinte, temos a formação do destacamento dos soldados judeus, sob o comando do Tenente Aldo Raine - todos com sangue nos olhos, dispostos a tudo para levar alguns nazistas diretamente para o inferno. Os caminhos destes personagens irão se cruzar, culminando num final triunfante e apoteótico. A obra é dividida em 5 capítulos independentes entre si, mas conexos. O roteiro é brilhante, ainda que fantasioso e sem nenhum compromisso com a História - e eu diria que essa é a maior sacada do filme. O desenvolvimento do roteiro é impecável e não há informação que não seja aproveitada mais adiante. da mesma forma, não há personagem mal colocado ou desenvolvido na obra - todos os personagens são imprescindíveis e muito bem compostos. A narrativa é linear, em ritmo intenso e com uma atmosfera de tensão crescente. Formalmente, o filme é excepcional. Tarantino é extremamente hábil em fazer "triangulações" entre personagens em cenas que exalam tensão e aqui não é diferente. A composição da célebre cena da taverna é uma aula de cinema e eu juro que é incrível não ter nenhum pulo de eixo nessa cena (e eu juro que fiquei prestando atenção nisso... e não tem!). A fotografia do filme, exemplar, usa e abusa de planos e posicionamentos de câmera bem criativos, como os vários plongées e contra-plongées absolutos (como, por exemplo, a cena em que Shosanna caminha pelo cinema e observamos sua movimentação de cima). A direção de arte de época é irretocável, assim como a caprichada trilha sonora, que sempre merece atenção extra do diretor. Tarantino também é um exímio diretor de atores e arranca, sempre, interpretações maravilhosas de quem trabalha com ele. E que elenco! Brad Pitt brilha como o Tenente Aldo Raine, com um sotaque esquisitíssimo do Tennessee; Michael Fassbender interpreta o Tenente Archie Hicox e é responsável pela cena mais "fdp" do filme (a cena da taverna!!!!); Mélanie Laurent interpreta a diva, musa, deusa, Shosanna, inesquecível por pelo menos meia dúzia de motivos - interpretação magistral dela! O elenco ainda traz Eli Roth como Sargento Donowitz, Diane Kruger como Bridget von Hammersmark, Daniel Brühl como o soldado Zoller, B. J. Novak como soldado Utivich, Til Schweiger como Sargento Hugo Stiglitz e Mike Myers como General Ed Fenech). Mas... e quem interpreta Hans Landa? Aaaah... aqui temos de parar para tecer loas para a interpretação fora da curva de Christoph Waltz. Seu Hans Landa é simplesmente ODIOSO - cínico, cruel, desleal, cínico, covarde, canalha... eu já disse cínico? Tudo com a máxima educação e o sorriso mais amistoso... e cínico. A interpretação de Waltz é tão perfeita que ele fez o "rapa" em todos os festivais possíveis, sendo contemplado com os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante no Oscar (2010), Globo de Ouro (2010), Sindicato dos Atores (2010), BAFTA (2010), Critics' Choice Awards (2010) e em mais um sem fim de festivais menores, tudo com muita justiça! É evidente que sou muito fã do filme e do diretor, não? Mas, sinceramente, a obra é boa demais, tem de ser vista. Recomendo DEMAIS!!!!

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