• hikafigueiredo

"Billy Elliot", de Stephen Daldry, 2000

Filme do dia (65/2022) - "Billy Elliot", de Stephen Daldry, 2000 - Inglaterra, 1984. Em uma pequena cidade ao norte do país, Billy Elliot (Jamie Bell) é um menino de onze anos que descobre um raro talento para o ballet. Contando com o apoio de uma professora de dança, Sra. Wilkinson (Julie Walters), Billy precisa enfrentar o preconceito de seu pai (Gary Lewis) e de seu irmão Tony (Jamie Draven), ambos mineradores de carvão passando por um período de greve.





Em seu primeiro longa-metragem, Stephen Daldry expõe, a um só tempo, a busca por um sonho na figura de Billy e a luta de trabalhadores que aspiram a melhores condições de vida nas figuras do pai e do irmão do garoto. Situando a história em um conturbado período da Grã-Bretanha, onde medidas neoliberais retiravam direitos dos trabalhadores e o país era sacudido por greves de diversas categorias, o filme retrata a realidade de uma pequena cidade ao norte da Inglaterra, região de minas de carvão, onde boa parte da população encontra-se em greve. Com dificuldade, o pai de Billy mantém a casa, mas não se deixa abater na sua busca por seus direitos. Billy observa, com angústia, a situação familiar e tenta se distrair com aulas de boxe, para o qual ele não tem qualquer talento. Logo, ele abandona o esporte e se descobre na dança - algo completamente desconhecido para os rudes mineradores locais, incluindo seu pai e irmão, que veem a atividade com preconceito. O filme, aqui, envereda por questões de gênero ao colocar em discussão a ideia de que existiriam atividade "adequadas ou não" para homens ou mulheres, esbarrando no mais tóxico machismo - aquela velha bobagem de relacionar a dança com homossexualidade. Curioso é que a obra não se limita a desconstruir essa ideia - além de dissociar o ballet da homossexualidade, o filme ainda deixa claro que também não tem qualquer problema em ter uma orientação sexual não heteronormativa, ou mesmo uma identidade de gênero diferente da cisgênero, apresentando essas ideias com muita naturalidade e sem qualquer panfletarismo. A obra fixa-se, por fim, na busca de Billy por seu sonhos e na alegria que o menino encontra ao dedicar-se à dança, contrapondo isso à frustração daqueles que jamais almejaram nada. A narrativa é linear, em ritmo bem marcado. A atmosfera equilibra-se entre esperança e desilusão, energia e apatia, paixão e raiva. O filme tem uma bela fotografia bem contrastada, que trabalha muito bem os movimentos de câmera e aproveita diferentes ângulos de câmera. A trilha sonora é deliciosa e traz de música clássica a punk rock. As cenas em que Billy dança são simplesmente fantásticas e enchem qualquer espectador de uma energia contagiante. O elenco não poderia ser mais cirúrgico. Gary Lewis está ótimo como o pai de Billy, assim como Jamie Draven como o irmão do menino - ambos carregam uma raiva incontida, uma tensão só compreendida por quem precisa trazer sustento para casa; Julie Walters também está maravilhosa como a professora Sra. Wilkinson - rígida e acolhedora simultaneamente; Stuart Wells faz contraponto a Billy como o amigo Michael; mas que rouba qualquer cena é o pequeno Jamie Bell, simplesmente excepcional como Billy Elliot - além do talento para a dança, o ator traz uma expressividade no olhar, nas expressões faciais e na postura corporal que encantam qualquer espectador. Jamie Bell recebeu o prêmio BAFTA (2001) de Melhor Ator e o Critics' Choice Awards (2001) de Melhor Jovem Ator pela sua interpretação. A obra concorreu ao Oscar (2001) de Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante e ao Globo de Ouro (2001) de Melhor Filme - Drama e Melhor Atriz Coadjuvante e foi agraciado com o BAFTA (2001) de Melhor Filme Britânico, enquanto Julie Walters ficou com o prêmio na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Destaque para a cena inicial, ainda nos créditos, e para todas as cenas em que o personagem dança. Eu sou apaixonada por essa obra, acho-a sensível e cheia de energia e paixão. Recomendo demais. PS - Em 2005, "Billy Elliot" virou um musical, trazendo músicas de Elton John, chegando, inclusive, à Broadway.

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