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  • hikafigueiredo

"Bonequinha de Luxo", de Blake Edwards, 1961

Atualizado: 25 de out. de 2022

Filme do dia (134/2022) - "Bonequinha de Luxo", de Blake Edwards, 1961 - Quando o aspirante a escritor Paul Varjak (George Peppard) muda-se para uma garçonnière bancada por sua amante casada, ele conhece a sofisticada, porém amalucada, Holly (Audrey Hepburn), que sonha em casar com um homem rico para viver luxuosamente. Logo eles fazem amizade, mas suas aspirações mostram-se bastante opostas.






Gente... kkkkkkkk... eu tenho esse filme há anos na minha coleção e sei lá porque cargas d'água tinha profunda antipatia por ele sem nunca tê-lo visto. Sabe-se lá porquê, eu tinha uma visão completamente díspar da obra e acreditava que o desfecho era uma coisa totalmente diferente do que é - quando o filme terminou só deu eu com cara de "ué". O lado bom é que, no final das contas, eu gostei bastante da obra e foi uma experiência bastante positiva. A história acompanha os dois personagens principais - Paul e Holly -, dois jovens bastante perdidos que têm aspirações muito grandiosas para seus futuros - enquanto Paul almeja se tornar um grande escritor, Holly planeja se casar com um ricaço para viver no luxo e sofisticação. Enquanto não alcançam seus desejos, ambos vivem às custas de amantes, no melhor estilo sugar baby. O roteiro, adaptado de uma obra de Truman Capote, consegue equilibrar-se entre a comédia, o romance e o drama - eu diria mais: o filme é uma comédia romântica pautada por temas dramáticos, polêmicos e, no fundo, nada românticos, começando pelo fato de ambos os personagens terem um (ou talvez dois) pés na prostituição e serem o reflexo de uma juventude perdida e sem perspectivas. Realmente achei interessante a maneira como o filme consegue trazer certa leveza a temas tão pesados e como ele tem um eco tardio das deliciosas screwball comedies (ou, comédias malucas), tão comuns nos anos 30 e 40, aqui representadas, principalmente, pela cena da festa na casa de Holly. A narrativa é linear, em um ritmo bem marcado. Apesar do tema "prostituição" evocar um clima de decadência, desespero e depressão, o filme não traz essa atmosfera, caracterizando-se por ser descontraído, leve e divertido. Claro que existe, ali, uma crítica à vida de aparências, à futilidade, às relações superficiais, ao materialismo e ao consumismo, mas isso tudo é bem sutil e discreto - diria que isso tudo é Truman Capote, mas muito suavizado por Blake Edwards. Formalmente, o filme é bastante convencional - talvez fazer uma obra mais arrojada somada aos temas espinhudos e polêmicos fosse um pouco demais para o conservador público norte-americano do início dos anos 60. Marcante é a trilha musical assinada por Henry Mancini, que traz, ainda, a música "Moon River" - ambas, indicadas aos Oscar (1962) em suas categorias, saíram vencedoras da premiação em questão. O elenco traz a icônica Audrey Hepburn como Holly - como se a atriz não fosse naturalmente sofisticada, a marca Givenchy ainda assinou seus figurinos. A atriz está encantadora como a garota de programa sonhadora e livre, que, por vezes, demonstra profunda ingenuidade. No papel de Paul Varjak, George Peppard - ele está... suficiente... no personagem, mas nada excepcional. Buddy Ebsen interpreta o personagem Doc, Patricia Neal, a personagem Emily e Martim Balsam, o personagem O. J.. Preciso abrir um parênteses acerca do personagem Yunioshi - sua presença na obra é, aos nossos olhos dos anos 2020, uma verdadeira ofensa, mas, é claro, que no contexto dos anos 60, ele era para ser mero alívio cômico. Sob nossa ótica atual, o personagem "erra" três vezes: a primeira por estereotipar os orientais; a segunda por ridicularizar os mesmos orientais, em um movimento claramente xenófobo; e, por fim, ao colocar um ator ocidental - mais especificamente Mickey Rooney - para interpretar o personagem, numa grosseira caracterização. É óbvio que tudo isso é uma visão atual da situação, mas não deixa de ser inacreditável o quanto era normalizado o preconceito e a xenofobia. Considerando as circunstâncias, Mickey Rooney está bem no papel, alcançando, dentro do possível, o alívio cômico almejado. Além da premiação já mencionada, o filme ainda foi indicado ao Oscar (1962) de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz para Audrey Hepburn, e ao Globo de Ouro (1962) de Melhor Filme e Melhor Atriz, ambos em "Comédia ou Musical". Curiosidade: a trilha sonora do filme foi agraciada com nada menos do que cinco prêmios Grammy (1962), tal sua qualidade excepcional. Último aparte: quase enfartei na cena final por causa do "gato"... rs A obra me surpreendeu positivamente e, por isso, recomendo com carinho.

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