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  • hikafigueiredo

“Capricórnio Um”, de Peter Hyams, 1977

Filme do dia (89/2023) – “Capricórnio Um”, de Peter Hyams, 1977 – Anos 1970, EUA. A NASA se prepara para enviar uma missão tripulada para Marte, onde a nave pousaria. No exato momento do lançamento do foguete, a tripulação composta por Charles Brubaker (James Brolin), Peter Willis (Sam Waterston) e John Walker (O.J. Simpson) é retirada às pressas da nave e o foguete é lançado sem tripulação. É o início de uma infame farsa envolvendo o governo norte americano e a alta cúpula da Agência Espacial.





A obra, uma surpreendente mistura de ficção científica com thriller, deu voz a inúmeras teorias da conspiração que, desde sempre, envolveram a chegada do homem à lua. Ainda que, no filme, o objeto de pesquisa seja o planeta Marte, é evidente que a narrativa é uma provocação que tem como foco toda a história da missão Apollo 11 e as infinitas teorias advindas de seu pouso na lua. Muito embora o filme tenha uma pegada interessante, envolva o espectador e sem dúvida seja divertido, eu tenho certo pé atrás em histórias de instiguem as teorias de conspiração – daí para o “terraplanismo” e para “vacinas que causam autismo” é um pulo. Bom, ressaltando que a narrativa se trata de pura ficção e não tem relação com qualquer dado real, mas, também, frisando que eu até acho que tudo o que envolva governos – e, em especial, o governo dos EUA – tem, sim, uns esqueletos no armário, a narrativa trabalha com a ideia de uma completa farsa em uma missão espacial da NASA, envolvendo tanto o alto escalão do governo, da Agência Espacial e funcionários da CIA e do FBI, todos empenhados em esconder a verdade sobre a tal missão. Eu achei as premissas um pouco exageradas demais – muita gente envolvida, a chance de vazar informação era gigantesca e a probabilidade de dar tudo errado ainda maior -, mas o que mais me incomodou foi o caminho percorrido pelo personagem Robert Caulfield para desconfiar do que estava acontecendo – achei que seu raciocínio tem furos e ele se aproxima da verdade um pouco rápido demais. Também não gostei do arco final, que me pareceu por demais absurdo, muito coisa de Indiana Jones. Assim, o roteiro é instigante, mas tem uns furos, na minha opinião, meio feios. A narrativa é linear, mas com vários saltos temporais, em ritmo bem marcado e crescente. A atmosfera é de tensão, sentimos a angustia dos astronautas que se encontram escondidos, envolvidos na farsa sem sua anuência e que dela têm de participar. Tecnicamente, é uma obra que guarda certa qualidade, lembrando-se que este foi um filme independente, realizado fora dos grandes estúdios de Hollywood e, portanto, não contava com um orçamento milionário. O elenco trouxe Elliot Gould no papel do jornalista Caulfield, James Brolin, O. J. Simpson e Sam Waterston como os astronautas, Brenda Vaccaro como Kay Brubaker, esposa de um dos astronautas, e Hal Holbrook como o Dr. James Kalloway, um cientista malvadão que faria de tudo para não perder seu cargo e sua fama no meio científico (esse personagem não me desceu, sei lá, eu o achei muito maniqueísta). Os atores não são ultra excepcionais, mas ninguém fez feio, todo mundo cumpriu bem sua função, até porque nenhum personagem tem muita profundidade ali, são todos meio rasos. Enfim... senti falta de uma maior complexidade na narrativa – boa parte das ficções científicas são bem críticas e aqui eu não vi isso, achei que só tem teoria da conspiração e não uma crítica verdadeira e bem embasada -, mas, como entretenimento, não é ruim não. Para ver com um saco de pipoca a tiracolo.

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