• hikafigueiredo

"Ciúme: O Inferno do Amor Possessivo", de Claude Chabrol, 1994

Filme do dia (37/2021) - "Ciúme: O Inferno do Amor Possessivo", de Claude Chabrol, 1994 - Paul (François Cluzet) acaba de comprar um hotel, quando conhece Nelly (Emmanuelle Béart). Eles se casam, têm um filho e gerenciam o hotel. Subitamente, Paul começa a ter ciúmes de Nelly, situação que se agrava com o tempo.





Refilmagem da obra inacabada de Henri-Georges Clouzot, "O Inferno" (1964), o filme é... assustador. Ele retrata como nenhum outro a espiral de loucura que toma, de assalto, aqueles que possuem um ciúme patológico de sua cara-metade. A exemplo do personagem Otelo, de Shakespeare, Paul deixa-se cegar por seu ciúme obsessivo sem sequer precisar de um Iago para incitá-lo. Subrepticiamente, o seu ciúme surge, inicialmente discreto, quase inofensivo, infantil; gradativamente, o sentimento se avulta, torna-se mais presente, perceptível, torna-se levemente incômodo; continuando sua escalada, o personagem começa a ser tomado por um ciúme poderoso, cria imagens, histórias, em sua mente e passa acreditar nelas e nas vozes que as acompanham; daí em diante, Paul acomete-se de uma loucura, uma insanidade, acompanhada da perda de contato com a realidade. Claro que, junto com o ciúme descontrolado, vem toda aquela carga de machismo que faz o personagem sentir-se senhor proprietário de sua companheira, dono de suas ações e vontades, com direitos supremos sobre ela. A história é um retrato de uma violência que é o cotidiano de inúmeras mulheres no Brasil e no mundo (não que não existam mulheres que sofram de ciúme possessivo, mas, culturalmente, elas não são levadas às vias de fato como os homens). O inferno, inclusive, vale para os dois lados, pois Paul é realmente atormentado por seus pensamentos de traição (é claro que o estrago sobra todo para a personagem Nelly, que acaba sofrendo toda a violência - psicológica e física - imposta pelo companheiro). Sinceramente, o filme é sensacional e, justamente por ser tão próximo da realidade, tão presente no dia a dia, ele é profundamente perturbador. A narrativa, linear, intercala a realidade com as "viagens" do personagem Paul, as quais se tornam, paulatinamente, mais presentes, mais detalhadas e mais enlouquecedoras. O ritmo é bem marcado e crescente. A atmosfera é de paranoia e terror - paranoia dele, terror para ela. No elenco, François Cluzet, excepcional como o descontrolado Paul, e Emmanuelle Béart, maravilhosa como a "presa" perfeita para a loucura do marido (gente... que mulher linda era essa? De abalar a heterossexualidade de qualquer uma! rs). Que obra espetacular!!!! Mas aviso... o desfecho pode irritar alguns... ainda assim... bom demais para não ser visto.

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