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  • hikafigueiredo

"Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky, 2017

Filme do dia (212/2018) - "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky, 2017 - Rosa (Maria Ribeiro) é esposa, mãe, filha e profissional. O excesso de demandas dos inúmeros papeis que Rosa exerce, no entanto, passam a sufocá-la, trazendo problemas para sua vida pessoal e profissional.





O filme discorre sobre a condição da mulher na atual sociedade brasileira. Exercendo inúmeras tarefas nos mais diversos âmbitos, a mulher brasileira moderna sente-se pressionada e extenuada, ao mesmo tempo em que exige perfeição em todos os terrenos. Okay, a premissa é bacana, bastante atual e pertinente. O único problema, na minha opinião, foi o universo escolhido para a abordagem. Rosa é uma mulher branca, estudada, de classe média alta e com uma família bastante funcional - em suma, uma mulher bastante privilegiada no universo total feminino. Rosa não sofre com problemas financeiros, não tem que lidar com violência doméstica, nem com questões relacionadas à moradia ou serviços públicos de saúde ou educação. Por conta disso, não consegui evitar olhar a personagem como "a pobre menina rica", cujos dramas são ínfimos perto daqueles enfrentados por uma grande maioria da população. Na realidade, tive profunda antipatia pela personagem - neurótica, babaca, chata ao extremo, sofrendo de profundo "umbigocentrismo" (a cena em que a mãe escolhe um sapato e Rosa diz que a mãe só escolheu aquela peça para confrontá-la e mostrar como ela, Rosa, era fraca, foi de dar ânsia de vômito - muito autocentrismo para o meu gosto). Como acredito que as questões levantadas - a pressão sofrida pela mulher, o excesso de demandas, etc - são importantes, o fato de Rosa, ao meu ver, não se encaixar cem por cento nos problemas (ela pode se dar ao luxo de parar de trabalhar, por exemplo), faz com que tudo pareça só muita neurose da personagem e cai numa coisa meio "problemas de classe média", ao invés de algo universal como, acredito, era para ser a proposta. Certo é que não houve nem empatia e nem identificação com Rosa, em momento algum (e olha que de demandas eu entendo), e, para mim, ela só se tornou um pouco mais "gente" nos últimos dez minutos de narrativa. Colocando de lado a temática, tecnicamente o filme é ótimo. Laís Bodanzky dá mostras, mais uma vez de seu talento como diretora (apesar de não ter curtido seu trabalho como roteirista pelas questões já levantadas). Fotografia, direção de arte, montagem e direção de atores também ótimas. Gostei demais da interpretação de Clarice Abujamra como mãe de Rosa. Não me sinto em condições de emitir opiniões acerca da interpretação de Maria Ribeiro, pois detestei TANTO a personagem Rosa que tenho receio de transferir a antipatia para a atriz (mas desconfio que ela esteve muito bem, pelo tanto de raiva que "garrei" da personagem). Sei que minha opinião vai ser dissonante, mas não gostei da obra. Não consegui me conectar com o filme e, muito menos, com a personagem. Para mim, é um filme extremamente bem feito, mas que falta alma. E mais uma vez, confirmei que não me identifico com o cinema nacional produzido no sudeste...

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