• hikafigueiredo

"Corações Livres", de Susanne Bier, 2002

Atualizado: 7 de mar. de 2020

Filme do dia (94/2020) - "Corações Livres", de Susanne Bier, 2002 - Cecille (Sonja Richter) acaba de ser pedida em casamento pelo namorado Joachim (Nikolaj Lie Kaas). Um acidente, entretanto, acabará com os sonhos do jovem casal.





Com um pezinho no movimento Dogma 95 (ainda que subverta mandamentos dele), a obra trata do esfacelamento das relações amorosas. Pode até parecer que o foco da história seja o triângulo amoroso que se forma entre Cecille, Niels e Marie, mas esse triângulo é apenas um meio para mostrar como as relações amorosas são frágeis e quebradiças, e como o ser humano é egoísta e superficial. Através da obra, o espectador pode acompanhar a implosão dos relacionamentos amorosos causada pela culpa, incompreensão, possessividade, vazio interior, egoísmo, dentre outros. Por outro lado, é curioso ver o desenrolar dessas relações amorosas segundo uma postura nórdica - a mesma história com um "tempero latino" viraria um dramalhão que poderia terminar em escândalo e violência, mas, aqui, tudo é tratado com uma certa classe, uma coisa mais equilibrada, sei lá. Ainda assim, existe certa "crueza" na obra, uma emoção profunda, uma dor latente, que envolve os personagens. Seguindo os preceitos do Dogma 95, a câmera do filme está constantemente na mão, o que dá um ar meio documental e intimista à obra e a trilha sonora é diegética (está inserida na narrativa). Algo que funciona muito bem na obra é o trabalho do elenco. Sonja Richter e Nikolaj Lie Kaas estão muito bem em seu personagens, mas, na minha opinião, o brilho maior está em Mads Mikkelsen como Niels e Paprika Steen como Marie, ambos fantásticos. Sou suspeita para elogiar o filme porque gosto muito do movimento Dogma 95 - ainda que prefira outras obras -, mas realmente gostei muito da atmosfera deste filme. Recomendo.

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