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"Delicada Atração", de Hettie Macdonald, 1996

Filme do dia (54/2022) - "Delicada Atração", de Hettie Macdonald, 1996 - Em um subúrbio de Londres, vivem Sandra (Linda Henry) e seu filho Jamie (Glen Berry). O rapaz sofre bullying na escola, motivo pelo qual cabula com frequência as aulas. O vizinho deles, Ste (Scott Neal), é um rapaz atlético e popular, mas, em casa, é agredido pelo pai e pelo irmão mais velho. Após uma surra, Ste é acolhido por Sandra. A aproximação de Ste e Jamie fará com que novos sentimentos surjam entre os rapazes.





Como no recém visto "Amigas de Colégio" (1998), o filme também trata da descoberta do amor por dois jovens gays e como eles lidam com a questão. É recorrente, nos filmes de temática LGBTQIA+, a difícil "saída do armário" dos jovens homossexuais - quase sempre os personagens tentam negar sua natureza, mas, mais cedo ou mais tarde, acabam por se assumirem, não sem uma boa dose de sofrimento embutida. Na história, Ste reluta em aceitar sua atração e seu afeto por Jamie, inclusive pelo medo da reação de seus familiares, já normalmente agressivos, e terá maior dificuldade em lidar com isso que o amigo, que vive na companhia da mãe estressada, mas de bom coração. A narrativa é linear, em ritmo marcado e atmosfera leve, apesar da realidade não tão cor-de-rosa dos protagonistas. O filme é daqueles gostosinhos, em que a gente torce fervorosamente pelo final feliz dos dois enamorados. Apesar do protagonismo dos dois jovens, temos a presença de alguns personagens secundários bastante marcantes, com destaque para a mãe Sandra e a vizinha Leah. Das questões técnicas, o maior diferencial é a trilha sonora estupenda com músicas da lendária Mama Cass (do grupo The Mamas & The Papas), o que dá um ar meio vintage à obra. O elenco traz Glen Berry muito à vontade como o deslocado Jamie e Scott Neal como o reticente Ste. Linda Henry está maravilhosa como a mãe Sandra - a personagem é complexa e contraditória e a atriz consegue exprimir todo o conflito interior de Sandra. No papel da provocativa Leah, temos Tameka Empson, em um ótimo trabalho. Achei um filme sensível, com interpretações tocantes, sem ser exagerado ou piegas. Gostei bastante e recomendo.

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