• hikafigueiredo

"Depois da Tempestade", de Hirokazu Kore-eda, 2016

Filme do dia (195/2017) - "Depois da Tempestade", de Hirokazu Kore-eda, 2016 - Após a morte de seu pai, Ryoda (Hiroshi Abe), um escritor de pouco sucesso que vem trabalhando como detetive particular , precisa aprender a lidar com a recente separação de sua esposa e a consequente distância de seu filho. Com ajuda de sua mãe Yoshiko (Kirin Kiki), ele tenta uma aproximação da ex-esposa bem no dia que um tufão chega à cidade.





Kore-eda, tradicionalmente, centra suas obras em questões familiares e aqui não foi diferente. Mas, ao contrário dos outros filmes do diretor, que terminam com um "clima" de otimismo, esse aqui me despertou um sentimento de conformismo e um certo vazio interior, ainda que desprovido de qualquer ansiedade. O filme, para mim, retratou um ritual de passagem, e a chegada do tufão nada mais é que uma metáfora dos sentimentos interiores do personagem Ryoda. Apesar do formato simples e tradicional, a obra é rica em significados e desperta uma grande gama de emoções no espectador. Os diálogos, aparentemente comuns, cotidianos, revelam relações entre os personagens, seus sentimentos, frustrações, sonhos, fraquezas, sendo muito mais ricos do que parecem na superfície. O ritmo, como em todos os filmes do diretor, é lento, pausado, mas nem de longe se revela massante. Destaque para as boas atuações de Hiroshi Abe, que faz o escritor talentoso porém frustrado, antiético, aproveitador e malandro, e, principalmente, de Kirin Kiki, como a matriarca Yoshiko, uma mulher idosa sarcástica, rápida nas respostas e esperta (a atriz é excepcional e repete a belíssima interpretação já vista em "Sabor da Vida"). Sei que sou suspeita para falar porque gosto demais do estilo de Kore-eda, mas, para mim, o filme é maravilhoso. Recomendadíssimo.

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