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"Dias de Ira", de Carl T. Dreyer, 1943

Filme do dia (29/2017) - "Dias de Ira", de Carl T. Dreyer, 1943 - Século XVII. Em plena época das caça às bruxas, a jovem Anne (Lisbeth Movin), casada com o reverendo Absalon (Thorkild Roose), muitos anos mais velho que ela, conhece Martin (Preben Lerdorff Rye), filho do primeiro casamento de Absalon. O interesse mútuo é imediato e as consequências dessa relação serão terríveis.





Mais uma obra incrível do diretor, "Dias de Ira" consegue equilibrar-se durante toda a sua duração sobre uma dúvida - Anne é uma jovem romântica e inconsequente dada a sua idade ou uma criatura maligna com poder fantástico sobre as pessoas que a cercam ? O filme inteiro é permeado por esta questão e pela dualidade bem/mal. É evidente que o obscurantismo é o cerne da narrativa, mas isto é colocado de uma forma extremamente subjetiva. O clima que se cria na obra é espetacularmente grave, circunspecto, silencioso. Os únicos momentos em que a sobriedade e o temor desaparecem são quando Anne passeia com Martin na floresta e ambos são tomados pela descontração e leveza - o resto do tempo, os personagens vivem em clima de ansiedade, onde qualquer desvio pode ser "obra do demônio". O ritmo é um pouco lento, mas constante e a tensão, crescente. O filme tem uma fotografia especialmente inspiradora, o que colabora muito com a construção desse clima sombrio. As interpretações são contidas, sutis,os movimentos são milimetricamente calculados para só permitirem o necessário - um olhar, um passo. Destaque para as mulheres da trama - Lisbeth Movin como Anne, Sigrid Neiiendam como a sogra de Anne e Anna Svierkier como a "bruxa" Herlofs Mate, uma personagem fortíssima. Adorei, bom demais e recomendo muito.

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