• hikafigueiredo

"Dragão Vermelho", de Brett Ratner, 2002

Filme do dia (55/2019) - "Dragão Vermelho", de Brett Ratner, 2002 - O agente do FBI Will Graham (Edward Norton) aposenta-se após quase morrer quando da captura do psicopata Hannibal Lecter (Anthony Hopkins). No entanto, uma série de assassinatos leva-o novamente à ativa, no intuito de identificar e deter o assassino em série "Fada do Dente" (Ralph Fiennes).





Terceiro filme da série referente ao personagem Hannibal Lecter, a obra mantém qualidade, mas afasta-se consideravelmente da história original. Diferentemente dos filmes anteriores, onde Hannibal era o protagonista quase absoluto, aqui ele ocupa posição subsidiária, perdendo muito espaço para o personagem Will Graham. Isso faz com que a obra, ainda que se mantenha como um ótimo suspense, perca um pouco do charme que, definitivamente, emana do personagem interpretado magnificamente por Anthony Hopkins. Outra mudança considerável é que, ao contrário dos filmes anteriores, onde o espectador acabava nutrindo uma profunda simpatia por Hannibal , aqui percebi um esvaziamento deste sentimento positivo, de forma que o personagem ganha um peso negativo inexistente nas obras que a precederam - se bem que não descarto a hipótese de que esta mudança de olhar para com Hannibal pode ter se originado da extrema simpatia que tenho pelo ator Edward Norton que, via de regra, acaba se estendendo aos personagens que ele interpreta. Diria que, dentre as três obras, esta é que apresenta a mais frágil construção de personagens, em especial se considerarmos o assassino focado - logo no início do filme, o personagem "Fada do Dente" é mostrado como um psicopata ritualístico, cuja conduta indica o grau de comprometimento de sua sanidade mental; o problema é que, no decorrer da obra, o comportamento ritualístico do personagem é meio que colocado de lado e ele acaba se aproximando de um assassino "normal", sem padrões preestabelecidos. Apesar dos "poréns" apontados, o filme está beeeeem acima da média dos filmes do gênero. O ritmo mantém a agilidade, assim como a atmosfera mantém-se tensa desde os primeiros minutos da narrativa, não devendo nada neste quesito aos demais filmes da série. Tecnicamente, a obra é redondinha, sem nada que a desabone. Vale salientar o elenco admirável do filme - não, não basta ter Anthony Hopkins (dispensa qualquer comentário elogioso - Hannibal Lecter foi um personagem magnificamente construído, e o ator não perdeu o "feeeling" do personagem em nenhum momento da série, mesmo com anos de intervalo entre o primeiro filme e o último) e Edward Norton (sou suspeita para falar porque fanzaça do ator, mas impossível desprezar quem trabalhou em obras como "Clube da Luta", "A Outra História Americana" e "A Última Noite" - o cara é bom demaaaais!!!), a obra ainda traz gente do quilate de Harvey Keitel, Emily Watson, Philip Seymor Hoffman, Mary-Louise Parker e, claro, Ralph Fiennes, que está realmente muito, muito bem como "Fada do Dente": temos que concordar que é um elenco excepcional, vai!!!! O filme é ótimo, mesmo "diferente" dos anteriores, e merece muito ser visto!!!!

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