• hikafigueiredo

"Ed Wood", de Tim Burton, 1994

Filme do dia (302/2021) - "Ed Wood", de Tim Burton, 1994 - EUA, década de 50. O aspirante a cineasta Edward D. Wood Jr. (Johnny Depp) transita por Hollywood em busca de oportunidades. Um dia conhece o decadente ator Bela Lugosi (Martin Landau) e, através de sua (ainda) fama, consegue patrocínio para um projeto. Inicia-se, assim, a carreira de Ed Wood, considerado o pior cineasta de todos os tempos.




A obra é a cinebiografia do excêntrico diretor Ed Wood - que, muito embora seja apontado como o pior diretor de cinema de todos os tempos, coleciona uma legião de fãs, transformando-se, com o tempo, em "cult" - e uma sincera homenagem aos filmes B, produções de baixíssimo orçamento e temas populares e/ou sensacionalistas. A história aponta Ed Wood como um sujeito idealista, sonhador, arrojado e, por que não dizer, extremamente cara de pau. Seu sonho de fazer cinema ultrapassava qualquer bom senso ou autocrítica e, mesmo produzindo filmes de qualidade para lá de discutível, nada o demovia de seu objetivo. Cercado por amigos e colaboradores os mais bizarros, Ed Wood realizava suas produções aos trancos e barrancos, da forma como estivesse ao seu alcance, pouco se importando com o resultado e a crítica negativa. A narrativa é linear, em ritmo intenso. Como boa homenagem aos filmes B das décadas de 50 e 60, a obra mimetiza sua estética através de uma fotografia P&B bem contrastada e interpretações carregadas. A direção de arte de época é esmerada, assim como a caracterização dos personagens, com destaque para o personagem Bela Lugosi. No elenco, Johnny Depp interpreta Ed Wood - aqui ele já começa com seus maneirismos, mas ainda de forma sutil, sem os exageros dos filmes posteriores (na minha opinião, a sequência de personagens bizarros, caricatos e exagerados fez bastante mal para o ator); Bill Murray interpreta Bunny Breckinridge; Sarah Jessica Parker faz Dolores Fuller; Patricia Arquette interpreta Kathy O'Hara; mas o filme é de Martin Landau como Bela Lugosi, uma figura melancólica, decadente e complicada, no passado um grande astro do cinema, mas, naquele momento, nada mais que um ator decrépito e viciado em drogas. Por sua atuação, Martin Landau foi agraciado com o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante, bastante merecidamente. O filme recebeu, ainda, o Oscar de Melhor Maquiagem. O filme é divertido e gostosinho e me remeteu diretamente às produções B hollywoodianas. Eu curti e recomendo.

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