• hikafigueiredo

"Em Pedaços", de Fatih Akin, 2017

Filme do dia (228/2018) - "Em Pedaços", de Fatih Akin, 2017 - Katja (Diane Kruger) é uma alemã casada com o turco Nuri. Mãe e dona de casa, Katja tem sua vida devastada quando seu marido e o filho de seis anos morrem em um atentado à bomba. Ao descobrir que a ação foi promovida por neonazistas, Katja direciona toda a sua vida e suas forças para que seja feita a justiça.





Eu poderia dizer que este é um filme sobre vingança, mas acho que isso seria uma leitura superficial da narrativa. Mais do que isso, a obra fundamenta-se no sentimento de indignação, na sensação de injustiça e, claro, na dor da personagem. O que fazer quando toda a sua existência foi destruída, mas você permanece vivo, nos escombros da alma, como um morto-vivo? Para Katja, a única motivação para continuar sobrevivendo é comprovar a responsabilidade de integrantes de um grupo neonazista e, de alguma forma, detê-los. O filme, ainda, trata da falibilidade da Justiça - se bem que eu achei uma tremenda forçação de barra o resultado da demanda judicial retratada e eu duvido que o resultado seria o do filme em qualquer lugar do planeta - e esbarra na questão da intolerância e no fortalecimento de grupos de extrema direita dentro e fora da Alemanha, tema mais que atual e de importância ímpar - a obra mostra o que o crescimento da intolerância e da polarização gera, o tipo de resultado que se pode esperar ao não se combater esse tipo de movimento. Em outras palavras, "não se pode tolerar a intolerância". O filme é um daqueles que fazem emergir um profundo sentimento de injustiça, tipo "Em Nome do Pai" (Jim Sheridan, 1993), "Em Nome de Deus" (Peter Mullan, 2002) ou "Philomena" (Stephen Frears, 2013) e nos deixam indignados, por isso, prepare sua dose de Epocler - seu fígado vai exigir. Destaque para a cena da descrição, no tribunal, dos ferimentos encontrados no pequeno Rocco - é horrível, dá vontade de chorar. Formalmente, o filme é convencional, mas há que se destacar a maravilhosa interpretação de Diane Kruger, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, merecidamente - a atriz consegue dar volume à sua atuação, não se limitando a expor unicamente a sua dor, mas, ainda, sua raiva, sua indignação, a saudades dos entes queridos, seu incômodo ao perceber em outro a felicidade perdida, a ausência de objetivos e de significado para a vida, muitas coisas. A obra foi agraciada com o Globo de Ouro de Filme Estrangeiro. Ótimo filme, que abre discussão de um tema bastante atual e necessário. Recomendo.

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