• hikafigueiredo

"Enter The Void - Viagem Alucinante", de Gaspar Noé, 2009

Filme do dia (136/2019) - "Enter The Void - Viagem Alucinante", de Gaspar Noé, 2009 - Oscar (Nathaniel Brown) é um jovem usuário de drogas e traficante, morador de Tóquio, que tem na sua irmã Linda (Paz de la Huerta) sua grande companheira. No entanto, uma entrega de drogas mal sucedida poderá afastar os dois irmãos.





A obra, como o título nacional já sugere, é uma grande viagem, uma mistura caótica de efeito de ácido lisérgico com transcendência metafísica. Esse é seu grande barato... e seu grande defeito. Para quem conhece o magnífico "Irreversível" (2002), do mesmo diretor, e curtiu as alucinadas cenas iniciais da obra, este filme aqui parece uma grande promessa. O problema, na minha opinião, é que Noé apostou na pirotecnia visual e auditiva... e esqueceu que um bom roteiro é essencial. O argumento até é interessante - uma leitura beeem particular de "O Livro Tibetano dos Mortos", cânone sagrado do budismo tibetano. O problema é que a ideia original é estendida ao infiniiiiiiito, em uma obra de quase três horas de duração, onde o argumento se limita a si mesmo e cujo desfecho é previsível desde os primeiros vinte minutos. Ou seja, o roteiro é fraco, raso, sem espessura. Sobra, assim, a alucinação visual. Sabe aquela história de menos é mais??? Então... Noé não entendeu isso.... Se em "Irreversível" a câmera inicial alucinada era uma entrada saborosa, aqui virou uma indigesta ceia inteira. São quase três horas de imagens que rodam, de plongées eternos, de mergulhos em detalhes, de rodopios e mais rodopios, até chegar à exaustão. Na primeira meia hora, eu estava achando divertidíssimo... mas depois disso passei a achar toda aquela viagem visual cansativa e limitada. Ao fim do filme, estava contando os minutos para que ele acabasse logo, uma tortura. Além disso, toda a carga sensorial do início da obra se perde pelo excesso - se antes eu estava "sentindo" o filme, lá pelas tantas percebi que estava anestesiada e não sentia mais nada - só um imenso tédio. Em suma: boas ideias sendo desperdiçadas porque o diretor não soube a hora de parar, uma pena. O filme, ainda, é todo conduzido na primeira pessoa - tudo é visto pelos olhos de Oscar. Tudo? Tuuuuuudo!!!! Outra coisa que me cansa um pouco no diretor é a forçação de barra no sentido de incomodar e/ou chocar o espectador. Então espere cenas de sexo desnecessárias, a sugestão de uma relação incestuosa entre Oscar e Linda e até um repeteco da cena de "Love" (2015), do mesmo diretor, onde um grande pênis na tela ejacula "na cara" do espectador (sério que Gaspar Noé reaproveitou a ideia no outro filme? Que podre!). A estética do filme é vistosa, tudo muito colorido e iluminado, fotografia puxada para os tons quentes, paleta de cores fincada no vermelho de todos os tons e variações possíveis. O som segue a mesma lógica - muitos ruídos, um excesso de informação sonora na minha opinião. As interpretações não me chamaram a atenção, achei todo mundo bem "marromenos" (exceto a menininha que interpreta Linda na infância - ela foi bem convincente). No frigir dos ovos, eu tive uma mega decepção com o filme, até mesmo por esperar muito da obra por conta do irretocável "Irreversível". Eu achei chatinho, não recomendo.


AVISO: O FILME TEM GATILHO FORTÍSSIMO PARA CONVULSÃO (por conta do efeito estroboscópico) E PARA LABIRINTITE (por causa da câmera que gira e balança de um lado para o outro). Se algum destes for seu caso, aconselho evitar a obra.

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