• hikafigueiredo

"Estranhos Prazeres", de Kathryn Bigelow, 1995

Filme do dia (211/2021) - "Estranhos Prazeres", de Kathryn Bigelow, 1995 - Los Angeles, últimos dias de 1999. O ex-policial Lenny Nero (Ralph Fiennes) ganha a vida vendendo dispositivos contendo experiências sensoriais de outras pessoas. Quando uma prostituta lhe entrega um destes dispositivos com um conteúdo desconhecido, sua vida passa a correr sério perigo.





Num ambiente machista como Hollywood, ser uma mulher cineasta e, ainda por cima, premiada, é um mérito indescritível. Certamente, a carreira cinematográfica de Kathryn Bigelow está aí para ser admirada e festejada, o que não quer dizer que tudo o que ela tenha feito seja assim tão incrível - e, na minha opinião, é o caso deste filme aqui. A obra mescla ficção científica e ação e tem roteiro e produção de James Cameron. Apesar da chancela dos dois cineastas badalados, o filme traz algumas inconsistências difíceis de digerir. A principal inconsistência encontra-se no roteiro, com fragilidades evidentes - a história não é amarrada, tenta-se um plot twist furado (cantei a bola muuuuito antes da suposta surpresa), os personagens são rasos e as condutas deles são inverossímeis e desprovidas de sentido. Outro ponto irregular ficou por conta da direção de atores - Ralph Fiennes não faz feio, mas as interpretações de Juliette Lewis, Angela Bassett e, principalmente, Tom Sizemore, estão a centímetros da canastrice (e olha que eu gosto da Juliette Lewis). A narrativa é linear, mas entrecortada pelas experiências advindas do tal dispositivo já mencionado. O ritmo é frenético e eu diria que as boas cenas de ação são o que o filme tem de mais interessante e bem feito. A história é ambientada num futuro (na época, né? rs) próximo, onde a sociedade está à beira de uma convulsão social e as ruas repletas de policiais e soldados que tentam conter a população insatisfeita. Tecnicamente, é um filme bastante bem realizado - a fotografia usa e abusa das cenas em "primeira pessoa" por conta das imagens contidas nos dispositivos sensoriais; a edição é muito ágil e ritmada. A trilha sonora traz nomes famosos como Marilyn Manson, PJ Harvey, Peter Gabriel, Deep Forest, dentre outros. O elenco, como já mencionado, é tão irregular quanto o filme em si. A obra tem lá seus fãs, mas vamos combinar que está muito aquém do que Bigellow e Cameron já fizeram de melhor. Por conta das cenas de ação, eu ainda vejo algum mérito no filme, e, por isso, considero-o como uma obra mediana, mas não chego a recomendar também. Assistir vai ficar por conta do freguês.

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