• hikafigueiredo

"Fôlego", de Kim Ki-Duk, 2007

Filme do dia (115/2018) - "Fôlego", de Kim Ki-Duk, 2007 - Yeon (Park Ji-Ah) acaba de descobrir a infidelidade do marido, o que gera uma crise conjugal. A notícia da tentativa de suicídio do condenado Jang Jin comove Yeon, que o procura na prisão para consolá-lo, dando início a uma estranha relação.





Após mudar radicalmente seu estilo em "Time" (2006), Kim Ki-Duk retorna às características que lhe deram notoriedade nessa obra. Retomando o silêncio que marcou "Primavera, Verão, Outono, Inverno ... e Primavera", "Casa Vazia" e "O Arco", o diretor faz uma obra repleta de leituras e significados e profundamente sensorial. Yeon sente-se presa a um casamento infeliz - em boa parte do filme, a personagem é retratada atrás de grades reais ou simbólicas (como a cortina da janela que forma barras verticais lembrando uma grade) - e não se sente capaz de se desvencilhar dessa situação - o que se reflete no anjo de uma única asa que ela esculpe. Ao saber da tentativa de suicídio do condenado a morte Jang Jin, Yeon imediatamente se identifica com o preso e o procura, conseguindo com ele a comunicação que não consegue ter com o marido. Daí em diante, seria spoiler, então paro por aqui, mas ainda me permito dizer que o título do filme é perfeito para a obra, porque a relação entre o detento e a mulher significa exatamente isso - um fôlego para a vida, para a existência, para seguir adiante. A obra é BELÍSSIMA e me surpreendi por nunca ter ouvido ninguém falar dela (enquanto "Primavera" e "Casa Vazia" são sempre lembrados e recomendados). A fotografia do filme é majoritariamente "clean" e as únicas quebras deste padrão se dão na sala de visitas do presídio, com as intervenções de Yeon para animar Jang Jin (aliás, ocasião em que se quebram todos os padrões da obra!!!). O filme é bastante silencioso, muito é dito através de olhares e do gestual e mesmo as falas são, na maioria das vezes, monólogos. A interpretação de Park Ji‑Ah é muito boa, mas, achei ainda mais incrível e interessante a atuação de Chang Chen - o ator (que sequer é coreano, é taiwanês) não profere uma única palavra, aliás, um único som, durante a obra inteira, tudo, TUDO, é transmitido através da linguagem corporal do ator, fenomenal!!!! A obra é para ser sentida, é para ser lida não apenas pelo racional, mas, também, pela emoção. Eu amei, recomendo profundamente!!!!

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