• hikafigueiredo

"Fausto", de F. W. Murnau, 1926

Filme do dia (27/2019) - "Fausto", de F. W. Murnau, 1926 - Fausto (Gösta Ekman) é um alquimista idoso e respeitado. Vendo sua cidade ser consumida pela peste, Fausto pede a ajuda de Mephisto (Emil Jannings) para ter o poder de ajudar a população. Não conseguindo seu intento, Fausto pede a Mephisto a juventude eterna e passa a vivenciar todos os prazeres mundanos até conhecer Gretchen (Camilla Horn), uma moça pura e ingênua por quem se apaixona.





Percebi que andava só assistindo a obras recentes e resolvi retornar aos primórdios do cinema, chegando a este grande clássico do Expressionismo Alemão. A história, baseada na obra de Goethe, discorre acerca de um homem que vende sua alma ao diabo. O cerne da narrativa é a ambição humana, não obstante o moral da história aponte para a redenção proporcionada pelo sofrimento e pelo amor. Mas o que mais me chamou a atenção na história foi o quanto o machismo está entranhado na sociedade ocidental, desde seus primórdios, assim como a sexualidade feminina é o eterno tabu - a mulher deve permanecer casta e virgem e, caso caia "em tentação", é a única responsável por sua queda, merecendo todos os castigos em nome da pureza perdida. É evidente que eu sei que a obra está mais que inserida em seu contexto histórico, mas isso só reforça há quantos séculos as mulheres estão submetidas ao ideário masculino - e isso salta aos olhos na última meia hora de filme. Deixando de lado o conteúdo da obra, há que se elogiar o filme. Formalmente, ele é simplesmente perfeito, não há o que se modificar. Seguindo a lógica do Expressionismo Alemão, a obra é profundamente sensorial, sinestésica, o espectador não tem como fugir das sensações e emoções despertadas pelas imagens sombrias, soturnas. A cenografia remete a uma realidade fantástica - desde os galhos de árvores retorcidos até a cidade cenográfica distorcida, com telhados pontudos e ruas sinuosas. A fotografia P&B, estouradíssima, usa e abusa do contraste claro/escuro, criando uma atmosfera lúgubre, pesada. Adoro o uso dos planos faciais, ressaltando as expressões caricatas dos intérpretes, tudo muito marcado. Destaque para inúmeros usos de sobreposição de imagens, criando os primeiros efeitos especiais (usados, com sucesso, desde Meliés) e cujo efeito fantasmagórico é sentido até hoje - é muito bom, sério!!!! Adorei a caracterização de Fausto velho - Gandalf curtiu!!! Quanto às interpretações, achei o trio central maravilhoso - Camilla Horn está ótima, tanto como virginal Gretchen, como mulher desesperada, alucinando, em meio à tempestade de neve; mas, o melhor, para mim, foi Emil Jannings como Mephisto - sua cara de deslealdade é única!!! O filme é maravilhoso, inesquecível!!!!! Obrigatório para quem quer conhecer cinema mais a fundo!!!!

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