• hikafigueiredo

Filme do dia (101/2018) - "A Felicidade Não se Compra", de Frank Capra, 1946

Filme do dia (101/2018) - "A Felicidade Não se Compra", de Frank Capra, 1946 - Numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, o desesperado George Bailey (James Stewart) está cogitando, seriamente, a hipótese de se jogar em um rio gelado, tirando, assim, a própria vida. No entanto, o "anjo de segunda classe" Clarence (Henry Travers) é enviado do céu para impedi-lo e convencê-lo a procurar outra saída para seus problemas, tarefa que, se tiver sucesso, renderá ao anjo um desejado par de asas.





Já conhecedora da história graças a uma refilmagem tosca a que assisti há muitos anos, resolvi conferir essa obra por achar uma falha no meu repertório não conhecer o original de Capra. Admito, no entanto, que esperava um filme atolado na pieguice até o pescoço, justamente por saber a história. Eu só - tolamente - não contava com... Capra. Com um talento muito acima da média e um "timing" perfeito para equilibrar drama e comédia, o diretor conseguia fazer de qualquer argumento um filme excepcional - e aqui ele mais uma vez comprovou isso. A história pode ser singela, pode ter um componente melodramático forte e pode até mesmo ser previsível - mas, nas mãos de Frank Capra, nada disso pesa, tudo se encaixa perfeitamente e se transforma numa obra deliciosa, dessas que a gente "acorda" para ver e não perder nenhum frame. A pieguice que eu supunha existir na obra se mostrou ser só reflexo da péssima refilmagem a que vi anos antes - porque, neste filme aqui, não há nada de piegas. A narrativa é bem ousada, ainda mais se pensarmos na antiguidade da obra. O filme tem uma cronologia toda particular e alterna a história de George com o diálogo de Clarence com ninguém menos que Deus (!!!). E apesar de toda a dramaticidade da história de George, o diretor sabe, como ninguém, pontuar com detalhes cômicos, trazendo leveza à narrativa. Destaque para a montagem perfeita e para o elenco encabeçado pelo queridinho James Stewart (queridinho dos espectadores na época e meu, hoje e sempre!) - o cara era bom, viu, bom demais, e ele está fantástico como o generoso George!!!! Também gostei da interpretação de Donna Reed como Mary Hatch (cuja cena do vinil sendo quebrado virou meme eterno). Filme delicioso, diretor genial, ambos necessários e obrigatórios. Recomendado à enésima potência.

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