• hikafigueiredo

"Glória Feita de Sangue", de Stanley Kubrick, 1957

Filme do dia (226/2020) - "Glória Feita de Sangue", de Stanley Kubrick, 1957. França, 1916. O país encontra-se em guerra contra a Alemanha. Um determinado local é estratégico para qualquer possibilidade da França avançar sobre as tropas inimigas e sair vitoriosa. A conquista deste local é impossível, mas, mesmo assim, um general, de olho numa eventual promoção, ordena ao seu exército um ataque à trincheira alemã. A tarefa é delegada ao Coronel Dax (Kirk Douglas) que, ainda que ciente da possibilidade de fracasso, cumpre a ordem. O resultado é desastroso e a consequência ainda mais terrível.





Wow. Não tenho qualquer dúvida de que Kubrick era um pacifista e acreditava que a guerra era um acontecimento desprezível. O filme é um soco no estômago acerca dos bastidores das guerras, discorrendo sobre egos, caracteres e escrúpulos daqueles que estão por trás de suas meses ordenando que a ralé siga em direção à morte. A obra retrata como generais - aqueles indivíduos que dão as ordens mas não se arriscam a ir para o front - podem ser covardes e inescrupulosos, esquecendo propósitos e objetivos e advogando em causa própria. É repugnante a forma como o filme mostra o alto comando francês, principalmente se comparado à determinação e coragem do pessoal "bucha-de-canhão" - os soldados que se encontravam na linha de frente da batalha. A obra é provocativa, feita para causar aquele aperto no peito de indignação - o que consegue com maestria. Claro que, em meio aos ratos fardados, tinha de haver pelo menos um ético e heroico - papel que cabe ao Coronel Dax (que, além de tudo, dá a cara a bater e vai para o front junto com suas tropas). A narrativa segue tempo linear e ritmo moderado e constante. A fotografia P&B é suave, sem grandes contrastes de claro e escuro. Achei a direção de arte fantástica - as trincheiras construídas para dar suporte ao soldados e os campos de batalha repleto de cadáveres em contraposição aos palácios sofisticados onde residiam os comandantes é chocante. A interpretação de Kirk Douglas está muito boa, demonstrando toda a sua indignação acerca do desenrolar dos fatos; o ator George Macready ficou responsável pela interpretação do General Paul Mireau - acho que ele foi competente, porque o ódio que o personagem despertou em mim quase correou meu estômago; Adolphe Menjou interpreta o General Broulard, mais um canalha fardado. O elenco é grande, mas destaco a interpretação de Timothy Carey como o soldado Ferol. O filme é excelente - como era de se esperar, considerando o diretor -, mas ataca todo e qualquer fígado desavisado, esteja avisado. Recomendo muito.

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