• hikafigueiredo

"Himalaia", de Éric Valli, 1999

Filme do dia (125/2018) - "Himalaia", de Éric Valli, 1999 - Em uma pequena vila do Nepal, o filho do chefe Tinle (Thilen Lhondup) morre ao conduzir uma caravana pelas montanhas geladas do Himalaia. Sem qualquer justificativa, Tinle acusa Karma (Gurgon Kyap), o qual conduzia a caravana junto com seu filho, de ser o responsável pela morte. Quando chega o momento de descer novamente as montanhas para comercializar o sal produzido na vila, Tinle não aceita entregar a caravana para Karma e passa a buscar um novo chefe para a missão e para a aldeia.





Belo, belo, belo. O filme retrata, com toda a poesia que seria possível, uma existência inimaginável para nós, ocidentais moradores de grandes cidades. A vida árdua daquele povo das montanhas do Himalaia, que une o ritmo suave das estações com o sacrifício exigido pelo ambiente hostil, é mostrado com tudo o que tem de bonito e, ao mesmo tempo, difícil. A obra me parece ser bastante fiel à realidade, pelo menos reproduz, com exatidão, tudo o que li nos muitos livros acerca do tema, reincidente para uma amante da escalada como eu. O filme foi feito "in loco", aproveitando não apenas a paisagem e as construções, mas, também, a própria população local. A história foca no embate entre o novo e a tradição, mostrando como esse conflito é necessário para o próprio desenvolvimento da vida - achei admirável a lição que o filme traz, de que é necessário saber o momento de insistir e o momento de ceder, equilibrando pólos, numa clara concepção budista da existência ("o caminho está no meio"). Por sinal, o Budismo Tibetano está presente em toda a narrativa, inclusive na cena do enterro celestial do filho de Tinle (que para muitos ocidentais é um pesadelo, mas que, para mim, é a mais linda e natural maneira de se desfazer do corpo físico de um entre querido). A obra tem um ritmo relativamente lento, mas consegue imprimir certa tensão nas cenas da caravana. O filme é visualmente MARAVILHOSO, pois une a beleza cênica do lugar - e a obra abusa dos planos abertos, mostrando a cordilheira, os vales e o céu do tamanho do mundo!!! - com uma fotografia inspiradíssima, que aproveita muito bem os contrastes das cores da natureza com as roupas da população, sempre em tons vermelhos ou alaranjados. A música, inspirada nos cânticos religiosos tibetanos, cria uma aura meio mística à obra e me inebriou do começo ao fim. As interpretações uniram atores profissionais com a população local e deu muito certo. Dentre os atores profissionais, Lhakpa Tsamchoe (que também participou do filme "Sete Anos no Tibet"), como Pema, viúva do jovem falecido, e Gurgon Kyap, como Karma. O filme é lindo, o lugar é lindo (e meu sonho de consumo pessoal), a história é linda e o povo é lindo (pensa numa gente bonita, com olhos muito oblíquos e pele morena - meu Deeeeeus, que gente maravilhosa!). Eu sei que eu sou suspeita porque sonho com aquele ponto específico do planeta, mas eu adorei e recomendo muitíssimo.

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