• hikafigueiredo

"História de um Casamento", de Noah Baumbach, 2019

Filme do dia (138/2019) - "História de um Casamento", de Noah Baumbach, 2019 - Quando o casamento de Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver) chega ao fim, ambos precisam lidar com o divórcio que, inicialmente amigável, acaba chegando aos tribunais.





Badaladíssimo no circuito das premiações internacionais, o filme disseca o processo de divórcio de um casal de artistas renomados, supostamente de acordo com a separação. O processo é entremeado de opiniões de terceiros, acusações de ambos os lados, mágoas e todo o lixo que é acumulado sob o tapete em algumas relações amorosas. Antes de qualquer coisa, reconheço que o filme é bom, muito bom. Maaaaaas (eu sempre coloco um mas, né?) acho que a obra pecou em alguns quesitos. Primeiro deles, o filme é extremamente convencional. O roteiro é quadradíssimo, feito para agradar em cheio o público acostumado ao cinema hollywoodiano. Deste "pecado", adveio o seguinte, na minha opinião, o maior e mais grave deles: para mim, a obra foi vivenciada "de fora para dentro". Eu me explico: a história acontecia e eu observava, de fora, seu desenrolar. Eu compreendi cada segundo daquela narrativa, mas eu, simplesmente, não me envolvi emocionalmente com o que vi - e, admito, isso tem sido bem comum de acontecer nos filmes norte-americanos que tenho visto. Em outras palavras, foi um filme que até me atingiu, mas somente no campo do racional, do intelectual, e não no campo das emoções, do sensorial. Aliás, a obra inicia num clima meio estéril, uma coisa meio hospitalar, impessoal, e só incorpora sua alma lá pela metade. A obra certamente dialoga com outro filme que trata do mesmíssimo tema - "Cenas de um Casamento", de Ingmar Bergman (1973), este sim, visceral ao extremo, um filme que me fez mergulhar de cabeça no universo da crise amorosa, o qual senti como lanças me varando o corpo!!!! Voltando ao filme do tópico, achei o resultado um pouco frustrante, face ao burburinho que o acompanha. Por outro lado, vale ressaltar, também os acertos: a entrada da obra, onde cada um destaca aquilo que vê como ponto positivo do outro, foi uma grande sacada; a cena da grande briga do casal, é fabulosa; a cena em que Charlie lê, para o filho do casal, a carta de Nicole é, para mim, o ponto alto do filme; a cena em que Charlie canta no bar também é fantástica. Outra virtude do filme é que nenhum dos personagens é demonizado - nem Nicole, nem Charlie são criaturas desprezíveis, desprovidas de sentimentos, horrorosas. Ao contrário, ambos acumulam características boas e ruins, ambos são capazes de gentilezas e atos mesquinhos, como qualquer pessoa normal no mundo. Aliás, definitivamente, o maior mérito do filme são as interpretações de Johansson e Driver, ambos impecáveis. De lambuja, ainda, Laura Dern e Alan Alda (velhiiiiinho, tadinho!), ambos ótimos em seus papeis. Enfim... o filme é muito bom, muito bem feito, só faltou um pouco mais de ousadia que possibilitasse uma maior imersão na dolorida história da separação do casal. Recomendo, e muito, com a única ressalva já mencionada.

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