• hikafigueiredo

"Histórias Extraordinárias", de Roger Vadim, Louis Malle e Federico Fellini, 1968

Filme do dia (89/2022) - "Histórias Extraordinárias", de Roger Vadim, Louis Malle e Federico Fellini, 1968 - Três contos de Edgar Allan Poe ganham vida na obra: em "Metzengeirstein", a devassa e cruel Condessa Frederique (Jane Fonda) encontra seu primo Wilhelm (Peter Fonda), um homem completamente diferente dela, e por ele se apaixona; em "William Wilson", o arrogante oficial Wilson (Alain Delon) é assombrado por um homônimo; e em "Toby Dammit", o renomado ator Toby Dammit (Terence Stamp) chega à Itália para ser homenageado.





O filme, composto por três blocos, cada qual relacionado a um conto de Edgar Allan Poe e dirigido por um diretor diferente, traz obras menos conhecidas do escritor norte-americano. O resultado é um filme bastante diversificado, mas, também, um tanto quanto irregular. O primeiro bloco refere-se ao conto "Metzengeirstein", que retrata uma poderosa, cruel e libertina condessa, a qual era temida por todos à sua volta, que não mediam esforços para agradá-la. Certo dia, a condessa encontra seu primo Wilhelm e por ele se apaixona, descobrindo, indignada, que ele não a temia como todos os demais homem, o que acende a sua ira. Neste bloco, o que mais me chamou a atenção foram os figurinos... hã... exóticos.... Fiquei um pouco incomodada com a desnecessária exposição do corpo feminino, uma clara objetificação da mulher, completamente deslocada da narrativa, mas talvez bem de acordo com a época (final dos anos 60). Aqui, temos uma Jane Fonda mais linda do que nunca no papel de Condessa Frederique - ela está ótima na personagem, completamente mimada e arrogante - contracenando com seu irmão Peter Fonda, este no papel do primo Wilhelm. O segundo bloco, dirigido por Louis Malle, trata do conto "William Wilson" e discorre sobre um "duplo" que persegue o personagem título. Para mim, o melhor trecho e o mais "sobrenatural" deles. Neste, temos as beldades Alain Delon, fascinante como o oficial Wilson e seu duplo, e Brigitte Bardot como Giuseppina. O terceiro e último trecho refere-se ao conto "Toby Demmit" e é dirigido por Federico Fellini. Bem... o que falar dele. Eu achei o conto menos interessante do ponto de vista do roteiro, mas o mais instigante quanto ao visual e a atmosfera. Fellini transforma o conto em um filme onírico, uma mescla de sonho e pesadelo, uma verdadeira agonia do personagem título. Toby Demmit é um célebre ator inglês que viaja à Itália para ser homenageado. Ocorre que Demmit é um notório alcóolatra e não fala uma única palavra de italiano, o que faz com que veja todo o evento - acerca do qual nada entende - a partir do "fundo de seu copo". Gostei demais do visual felliniano da figuração, bem como da fotografia amarelada e brumosa. A direção de arte também é bastante trabalhada, com aquela pegada kitsch do final dos anos 60, início dos 70, reforçada pela estética ainda mais excêntrica dos filmes do diretor. Terence Stamp está perfeito como o ator célebre, mas em franca e evidente decadência. A obra me envolveu e prendeu, ainda que ela tenha momentos melhores e piores. Gostei, também, de conhecer um pouco de obras menos conhecidas do autor. É legal, recomendo.

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