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  • hikafigueiredo

"Infâmia", de William Wyler, 1961

Filme do dia (03/2021) - "Infâmia", de William Wyler, 1961 - As amigas Karen (Audrey Hepburn) e Martha (Shirley MacLaine) administram um internato para garotas, onde lecionam. Uma das alunas, Mary (Karen Balkin), é castigada por dizer uma mentira. A garota, para vingar-se, acusa as professoras de terem um relacionamento amoroso entre si, o que terá consequências trágicas para as duas mulheres.





Sabe esses filmes que causam revolta profunda pela injustiça retratada na história? Este é um dos casos. A obra, baseada na peça teatral homônima de Lillian Hellman (cuja título original é "The Children's Hour"), discorre sobre o poder destruidor de uma mentira disseminada como verdade. Na história, a pequena psicopata Mary cria uma narrativa mirabolante acerca de um teórico relacionamento lésbico entre suas duas professoras. Sua avó acredita no relato mentiroso e toma a frente para destruir a reputação das duas mulheres diante da preconceituosa e conservadora sociedade local. Com o estrago feito, nada que as duas amigas aleguem ou façam tem o poder de reverter a situação. Além de ser uma crítica às narrativas difamadoras, o filme ainda discorre sobre amizade, lealdade, sororidade, empatia e, claro, preconceito. Ainda que a obra aparente condenar o declarado preconceito contra as duas moças, supostamente lésbicas, o rumo da narrativa deixa um tanto quanto claro que o assunto era visto como grave abominação, condenável por qualquer ângulo que se olhasse (lembremo-nos que a peça foi escrita em 1934, o que explica a visão canhestra sobre o tema). O desfecho me deixou arrasada e me trouxe a certeza do posicionamento da autora quanto ao tema (mas não vou poder revelar a minha conclusão por trazer um spoiler absoluto). A narrativa é linear, amarrada, e o ritmo, bem marcado. Os personagens são bem construídos, em especial a personagem Martha, mais complexa que os demais. A maior parte da narrativa acontece no interior da escola, trazendo um clima um tanto claustrofóbico à história. A fotografia P&B traz planos majoritariamente clássicos, mas, há, aqui e ali, cenas onde enquadramentos diferentes e mais sofisticados dão a tônica. O elenco de primeira é responsável por boa parte da intensidade do filme. Audrey Hepburn interpreta Karen, personagem que demonstra forte convicção ética, leal e empatia; Shirley MacLaine, por sua vez, interpreta lindamente Martha, uma personagem conflituosa e complexa; James Garner interpreta o personagem Joe, noivo de Karen e o único na cidade a defender as duas jovens; Miriam Hopkins interpreta a odiosa tia Mortar, egoísta, voluntariosa e aproveitadora; Fay Bainter faz a Sra. Tilford, a avó de Mary, quem dissemina as acusações que recaem sobre as duas professoras. A atriz mirim Karen Balkin, apesar de sua interpretação exagerada, foi capaz de me fazer odiá-la. A direção de William Wyler é segura e extremamente hábil em criar angústia e indignação no espectador. O filme é bacana, emociona, mas não posso deixar de considerá-lo datado. Ainda assim, vale a pena por conta das interpretações e pelo alerta quanto à disseminação de mentiras nesse tempo de "fake news".

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