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  • hikafigueiredo

“Julieta dos Espíritos”, de Federico Fellini, 1965

Filme do dia (110/2023) – “Julieta dos Espíritos”, de Federico Fellini, 1965 – Desconfiada de que seu marido está tendo um caso extraconjugal, Giulietta (Giulietta Masina) passa a ter estranha visões que a guiarão até a verdade.





Nessa lindíssima obra do mestre Federico Fellini acompanhamos a jornada fantástica da protagonista que, através de visões, inicia um longo processo de autoconhecimento, ao mesmo tempo em que procura respostas para suas suspeitas quanto à fidelidade de seu marido. Na história, a dona de casa Giulietta é casada com um bem-sucedido e rico empresário há quinze anos. Sem filhos, Giulietta é uma esposa apaixonada e dedicada, que vive em função desta relação conjugal. Quando ela começa a desconfiar de que seu tão amado marido a trai, o chão de Giulietta cede e, completamente confusa, ela passa a ter visões, as quais imputa ao contato com espíritos diversos. Rapidamente, a realidade confunde-se com o imaginário da personagem e Giulietta passa a experimentar uma série de experiências que lhe ensinarão mais sobre a vida e sobre ela própria. A obra é deliciosamente fantástica e onírica e, em sua maior parte, encontra-se no exato limiar entre o que é real e o que é delírio da protagonista. O que mais me agradou na história é que tudo que Giulietta vivencia tem um propósito: gradualmente, a personagem percebe seus traumas, seus medos, seus desejos mais recônditos; percebe aquilo que a limita, que a ancora naquela relação, e, paulatinamente, cimenta um caminho para sua libertação, libertação esta que engloba várias frentes. A obra me envolveu profundamente, inclusive por trazer uma narrativa bastante sensual – Giulietta possui vários freios, inclusive de ordem sexual, e suas visões provocativas vão auxiliá-la a superá-los. A narrativa é não-linear, em ritmo moderado a bem lento. A atmosfera é extremamente sedutora, insinuante – o espectador é convidado a mergulhar, junto com Giulietta, em seu mundo intimista e nas suas visões surrealistas e isso se mostra tão assustador quanto prazeroso. A obra traz aquele universo tipicamente felliniano, que beira a loucura e o sonho, com personagens fisicamente fora de padrões, com atributos muito particulares. O desenho de produção da obra é estupendo: a cenografia refinada só perde para os figurinos rebuscados, exageradíssimos, extremamente coloridos, com a predominância do branco e do vermelho. A fotografia colorida abusa de cores brilhantes e muito saturadas, movimentos de câmera longos e sinuosos e posicionamentos de câmera sofisticados, inusuais e muito criativos. A trilha musical de Nino Rota é alegre e algo lúdica, como de praxe nos filmes de Fellini. O elenco traz a musa inspiradora do diretor, sua esposa Giulietta Masina, como a protagonista Giulietta. Eu sou suspeita, pois adoro a atriz e vejo nela uma doçura que jamais vi em outra intérprete (não sei, talvez eu nunca tenha superado a Cabíria, de “Noites de Cabíria”, 1957, ou a Gelsomina, de “A Estrada da Vida”, 1954). Normalmente Giulietta Masina brilha solitária nos filmes de Fellini, mas aqui ela encontra uma intérprete à sua altura na figura da belíssima Sandra Milo – Oh, Lord, que mulher sedutora e única no papel de Suzy, Iris e Fanny!!!! Como Giorgio, marido de Giulietta, um elegante Mario Pisu. A obra concorreu ao Oscar (1967) nas categorias de Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino (e juro que não sei como não ganhou) e foi agraciada com o Globo de Ouro (1966) na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (merecidamente). A obra é magnífica, fiquei apaixonada por ela!!! Recomendo demais!!!

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