• hikafigueiredo

"Lola Pater", de Nadir Moknèche, 2017

Filme do dia (109/2018) - "Lola Pater", de Nadir Moknèche, 2017 - Após a morte de sua mãe, Zino (Tewfik Jallab) resolve procurar seu pai desaparecido desde sua primeira infância. No endereço de seu pai, Zino encontra Lola (Fanny Ardant), acreditando ser, ela, uma segunda esposa. No entanto, Lola é, na verdade, seu pai, uma mulher transgênero.





Com uma temática interessante e atual, o filme tem méritos e, também, escorregadas feias. A obra tem a virtude de colocar em discussão a questão da paternidade de uma mulher trans e faz isso com certa naturalidade, sem usar subterfúgios apelativos ou melodrama exagerado. O filme, ainda, desenvolve-se de uma forma mais positiva do que negativa, onde laços de sangue e afeto são valorizados mais do que preconceitos sociais e culturais. Mas a obra comete,a o meu ver, pelo menos três pecados. O primeiro e mais óbvio é colocar uma mulher cisgênero para fazer o papel de uma mulher trans - porquê, meu Deus, não aproveitar e dar espaço para uma verdadeira mulher transgênero mostrar seu talento??? Isso, para mim, é imperdoável, mancada feia. O segundo pecado foi colocar Fanny Ardant, aos 68 anos de idade, para fazer o papel de alguém que deveria ter algo perto de 50 anos - ela é, evidentemente, muito mais velha do que seria o pai do personagem. A terceira pisada foi a de introduzir questões na narrativa e sub utiliza-las - a família é argelina e muçulmana e essas características não são nem de longe utilizadas na composição dos personagens e da trama, simplesmente não têm peso algum na narrativa (então, por quê colocá-las na história?). Apesar do tema atual, ousado e inovador, isso não teve qualquer reflexo na linguagem ou no desenrolar da narrativa, que raras vezes se afastam do tradicional. No elenco, além de Fanny Ardant, na minha opinião, deslocada no personagem, ainda temos Tewfik Jallab, muito mais à vontade como Zino. O filme conseguiu manter bem o meu interesse e simpático e tals, mas, fica bem aquém de outro com temática próxima, o excepcional "Uma Mulher Fantástica". Dá para ver na boa, com prazer? Dá. Então eu recomendo.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo