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  • hikafigueiredo

"Loving - Uma História de Amor", de Jeff Nichols, 2016

Filme do dia (194/2017) - "Loving - Uma História de Amor", de Jeff Nichols, 2016 - Estado da Virgínia, EUA, 1958. Richard (Joel Edgerton) e Mildred (Ruth Negga) apaixonam-se e, após serem surpreendidos com a gravidez de Mildred, decidem se casar, ocasião em que se dirigem para Washington para concretizar o casamento. Ocorre que Richard é branco e Mildred negra e, pelas leis do estado da Virgínia, casamentos interraciais seriam proibidos. Começa, então, uma longa e árdua luta dos amantes para permanecerem juntos.





Baseado num fato real, a história transita, com equilíbrio, entre os gêneros romance e drama, e traz um panorama dos primórdios das lutas pelos direitos civis dos negros norte-americanos. O absurdo da situação vivida pelo casal - serem proibidos de conviver por conta da cor de suas peles, a despeito de serem legalmente casados - é bem explorada e gera um sentimento de impotência e indignação no espectador. A relação do casal, por sua vez, é retratada com extrema sensibilidade e delicadeza - mesmo com todos os empecilhos, eles se apoiam e se confortam mutuamente. O roteiro desenvolve-se em tempo cronológico e não tinha como ser mais tradicional - o diretor poderia ter ousado um pouco mais, explorando as questões raciais e a luta pelos direitos civis, enriquecendo o conteúdo do filme. Tecnicamente, o filme é bem correto, com uma bela fotografia e uma direção de arte de época bem condizente. Mas o grande destaque da obra é, sem dúvida, as interpretações da dupla central de atores. Joel Edgerton está excepcional como o simplório, mas decidido, Richard, que luta contra as próprias limitações para defender sua família e a mulher que ama. O ator consegue explorar bem a tensão vivida pelo personagem não só pela expressão facial, mas por toda linguagem corporal, muito bom! Já Ruth Negga, lindíssima, - ô mulher bonita e exótica! - faz uma Mildred equilibrada entre a submissão ao marido, natural da época, e a certeza de suas posições e decisões, que nem mesmo Richard ousa contrariar (isso fica bem evidente quando Richard incomoda-se com o assédio da imprensa, mas Mildred insiste na necessidade da exposição midiática para o sucesso de seu processo, tudo feito com muita delicadeza e sutileza). É um filme bom, certinho, mas um pouco aquém do que poderia ter sido se o diretor fosse mais ousado. Recomendo, mas não espere uma obra prima.

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