• hikafigueiredo

"Mãe!", de Darren Aronofsky, 2017

Filme do dia (206) - "Mãe!", de Darren Aronofsky, 2017 - Um casal, formado por um escritor em crise criativa e sua esposa, vive numa casa afastada. A chegada de um desconhecido modificará a relação do casal.





Este é daqueles filmes que até a sinopse é complicada de escrever sem meter os dois pés num spoiler monstro. A obra inteira é interpretativa e, conquanto uma interpretação seja óbvia e facilmente concluível, permite algumas outras tantas leituras, meio ao gosto do freguês. Tenho por hábito não dar spoilers e nem gosto de oferecer minha interpretação pessoal de uma obra antes do meu interlocutor já ter visto o filme, porque acredito que isso poderá influenciar e limitar sua leitura, motivo pelo qual não vou aprofundar muito a discussão nesse sentido. Mas posso adiantar que várias passagens levam à uma interpretação bastante evidente, não entendo o que o povo anda sofrendo tanto para entender a alegoria!!! Este é daqueles filmes que ou se ama ou se odeia - eu, particularmente, gostei demais, apesar de senti-lo um pouco pretensioso. O roteiro não tem como ser visto de forma literal - qualquer leitura nesse sentido faz do filme uma história sem pé nem cabeça, é preciso, sim, interpretar o significado figurado da obra. O ritmo do filme é crescente e tem momentos verdadeiramente "alucinados", difícil até de acompanhar. A direção de arte do filme é excepcional, como, também, a fotografia, ambas bastante variadas (temos desde cenas claras, luminosas, até o ápice do sombrio e da decadência). A edição de som também é incrível - há uma reverberação voluntária, incômoda, que me remeteu ao ótimo "O Filho de Saul", e que compõe muito do suspense e da agonia que o filme proporciona. Com relação ao elenco, temos a participação de Javier Bardem, talentoso como sempre, Ed Harris e Michele Pfeiffer. Mas definitivamente quem domina a obra, numa interpretação sofrida e quase delirante, é Jennifer Lawrence (na minha humilde opinião, sua segunda melhor atuação, atrás apenas de "Inverno da Alma"). Aviso: algumas cenas podem transtornar ou até mesmo chocar espectadores mais sensíveis, se for o seu caso, prepare-se. Bom, eu gostei muito e recomendo. PS - evitem os spoilers em eventuais comentários. Se for o caso, me chama inbox e falamos sobre as interpretações da obra sem estragar a brincadeira do coleguinha.... ;)

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