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  • hikafigueiredo

"Mediterrâneo", de Gabriele Salvatores, 1991

Filme do dia (03/2023) - "Mediterrâneo", de Gabriele Salvatores, 1991 - Durante a Segunda Guerra, um grupo de soldados italianos desembarca numa pequena, longínqua e isolada ilha grega com a missão de defendê-la de uma possível ocupação pelas tropas inimigas. Após o naufrágio do barco em que vieram e sem meios de contatar seu comando, os soldados ficam "presos" na ilha e passam a conviver com os moradores locais.





A obra é uma singela e melancólica história sobre a fuga de uma realidade perturbadora (a guerra) e a busca por uma vida aprazível, calma e sem sobressaltos. Ainda que os soldados destacados para irem à ilha não fossem exatamente os mais eficientes e ferozes, todos sentiam-se deslocados e infelizes em suas funções e o isolamento na ilha rapidamente torna-se uma grata surpresa, vivida com satisfação pelos combatentes. O roteiro, extremamente simples, não tenta complicar ou problematizar as questões expostas e a narrativa segue sem percalços como a vida na vila local. Talvez justamente para sublinhar a busca por uma existência leve e a fuga de sofrimento e complicações, tanto os personagens, quanto as relações entre eles são expostas de uma forma bastante superficial, praticamente sem conflitos de qualquer espécie. A vida na ilha é quase um esquecimento e o tempo passa, modorrento, sem que os personagens se deem conta ou se preocupem com isso. A narrativa é linear, em um ritmo tão preguiçoso quanto a existência na ilha em questão e sem um clímax marcante. A atmosfera é de paz que beira o tédio e a beleza do local torna tudo um pouco onírico, como se fosse um paraíso perdido num mundo em pedaços (em decorrência da guerra de proporções planetárias). O filme traz uma fotografia colorida bastante saturada, aproveitando a beleza do cenário local - as cores do mar e do céu são impressionantes! É um filme bastante convencional em seus aspectos formais, não apresentando qualquer criatividade quanto à linguagem apresentada. A trilha musical usa a música típica grega como base e pontua a narrativa com sons bastante característicos daquele local. Como são vários personagens, o elenco encontra-se um pouco "pulverizado", mas destaco a presença de Giuseppe Cerdena como o tímido Antonio Farina, Claudio Bigagli como o Tenente Montini, Diego Abatantuono como o Sargento Lorusso e Vana Barba como a prostituta Vassilissa. A obra é leve, cândida, doce... mas, também, um tanto quanto "esquecível" por conta do excesso de suavidade e falta de qualquer conflito. Apesar disto, o filme foi agraciado com o Oscar (1992) de Melhor Filme Estrangeiro, desbancando o excelente (e, na minha opinião, infinitamente melhor) "Lanternas Vermelhas" de Zhang Yimou. PS - O filme foi lançado no Brasil em mídia física de péssima qualidade...

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