• hikafigueiredo

"Medo e Delírio", de Terry Gilliam, 1998

Filme do dia (244/2017) - "Medo e Delírio", de Terry Gilliam, 1998 - EUA. 1971. O jornalista Raoul Duke (Johnny Depp) é enviado a Las Vegas para cobrir uma corrida de motos no deserto. Acompanhado de seu advogado Dr. Gonzo (Benício Del Toro), Duke viaja para Las Vegas com o carro repleto das mais variadas drogas e entra na sua mais delirante viagem.





Baseado no livro de mesmo nome, o filme retrata um pouco da "ressaca" pós movimento hippie, quando, em meio à Guerra do Vietnã, todos os sonhos de paz e amor escorriam ladeira abaixo. Diante de uma realidade distópica e sem esperança, afundados em niilismo profundo, só resta aos personagens a fuga, que se dá através de muito álcool e doses cavalares das mais potentes drogas. Como era de se esperar, ambos afundam em uma grande, profunda e assustadora viagem, trazida às telas na obra. E o filme é exatamente isso - uma gigantesca viagem de ácido, caótica, delirante e psicodélica, divertida por vezes, assustadora na maior parte do tempo. Espere por muitas câmeras nervosas, imagens distorcidas, movimentos de câmera bizarros, praticamente um pesadelo do qual não se consegue acordar. Acompanhando as imagens alucinantes, sons igualmente perturbadores... e uma trilha sonora deliciosa cheia de músicas da época - Rolling Stones, Janis Joplin, e por aí vai. Quanto às interpretações, temos um Benício Del Toro maravilhoso, transtornado, descontrolado, visceral - ele está perfeito como Dr. Gonzo. Já Jonnhy Depp, infelizmente, não me convenceu. Eu o achava um ator admirável, mas, a cada dia que passa, acho suas interpretações mais caricatas, cheia de maneirismos desnecessários - e nesta obra não foi diferente. Diria que eu fui além do simples não-gostar da atuação dele... ela chegou a me incomodar, a me deixar irritada. Como acontece com certa frequência nos filmes de Terry Gilliam, temos algumas participações especiais interessantes - Ellen Barkin, Tobey Maguire, Christina Ricci, Harry Dean Staton e até mesmo Flea (do Red Hot) e o astro country Lyle Lovett, em pontas de maior ou menor importância. O filme é delicioso, envolvente, paranoico, eu adorei e recomendo para quem quer uma obra bem fora do comum.

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