“Minha Mãe é uma Peça”, de André Pellenz, 2013
- hikafigueiredo
- 19 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Filme do dia (44/2025) – “Minha Mãe é uma Peça”, de André Pellenz, 2013 – Hermínia (Paulo Gustavo) é uma mulher de meia idade, divorciada do marido Carlos Alberto (Herson Capri), que vive às turras com os filhos Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier), com quem mora. Após ouvir reclamações de seus filhos, Hermínia, magoada, abandona o lar e vai morar com a tia idosa. Seus filhos, agora, terão de descobrir como viver sem os cuidados da mãe.

Baseado na peça homônima, de Paulo Gustavo, o filme traz as desventuras da personagem Hermínia, uma mulher escrachada e autêntica, que não tem medo de ser julgada por ser quem é. Na história, acompanhamos a relação conturbada da protagonista com seus filhos, vizinhos, ex-marido e a nova namorada deste, percebendo, rapidamente, que Hermínia é uma legítima “sincericída” e que, a despeito de seu enorme coração, não há nada que freie seu ímpeto em falar aquilo que lhe vem à cabeça. Muito por conta do carisma do ator Paulo Gustavo, é uma comédia que funciona, mas que, lá pelo meio de sua duração, acaba cansando por esgotar a própria fórmula. É certo, também, que a obra ganha muito mais humor para quem, alguma vez, já viu a verdadeira mãe do Paulo Gustavo, Dona Déa, em quem a personagem é inspirada – ela é espantosamente igual a Dona Hermínia, inclusive nas opiniões convictas e na forma muito atabalhoada de se expressar. Quanto à narrativa, centra-se muito na interpretação fidedigna de Paulo Gustavo dos maneirismos de Dona Déa e na contraposição entre o jeito desbocado de ser da protagonista e seu enorme afeto pelos filhos. Acredito, ainda, que muito do que a história traz é baseado na própria vivência do ator, então temos ali a questão da homossexualidade do personagem Juliano – certamente alter ego de Paulo Gustavo – e da resistência de Dona Hermínio em aceitá-la. Confesso que me incomodei com alguns posicionamentos e opiniões da personagem, principalmente aqueles profundamente gordofóbicos – a filha Marcelina é uma adolescente fora do padrão e Dona Hermínia jamais a poupa de comentários extremamente desairosos e preconceituosos, o que me deixou um tanto quanto desconfortável, ainda mais por perceber que muitas vezes os comentários eram gatilho para um humor bem politicamente incorreto. Por outro lado, não foram poucas as cenas em que quis dar um beijo na protagonista por falar exatamente aquilo que, às vezes, a gente tem vontade de dizer, mas nossos freios não permitem... rs. A narrativa é linear, em um ritmo marcado e estável, com atmosfera leve e divertida. O formato narrativo é convencional, lembrando programas humorísticos da televisão brasileira como A Grande Família ou Os Normais. O elenco traz Paulo Gustavo perfeito como Dona Hermínia, Herson Capri como o ex-marido folgazão, Ingrid Guimarães como a nova namorada entojada de Carlos Alberto e Suely Franco como a paciente tia de Hermínia. Gostei da atuação de Rodrigo Pandolfo como Juliano, o filho gay ainda dentro do armário. O filme, enfim, é divertidinho, mas, como disse, meio insistente no mesmo tipo de piada, o que acaba cansando. Mas dá para ver... uma vez. Atualmente pode ser encontrado em streaming na Netflix e na Globoplay.



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