• hikafigueiredo

"Moebius", de Kim Ki-Duk, 2013

Filme do dia (108/2020) - "Moebius", de Kim Ki-Duk, 2013 - Ao descobrir a infidelidade de seu marido, uma mulher (Lee Eun-woo), num acesso de loucura, tenta castrar o companheiro. Sem conseguir alcançar seu intento, ela volta sua fúria para o filho do casal.





Wow!!!! Este é um filme que merecia ser analisado à luz da psicanálise, viu? Porque são tantas imagens e referências freudianas que quase não sobra espaço para cinema ali!!! O filme trata, antes de tudo, de desejo sexual e das pulsões de morte e vida. Ao longo da narrativa, estes três elementos estarão sempre em destaque. Além disso, a obra trata das relações familiares sob uma ótica freudiana (sabe aquele papo do desejo da criança pela mãe, a vontade de matar o pai, o medo da castração, etc... então, é mais ou menos por aí). Não vou nem tentar aprofundar o assunto, porque me falta conhecimento suficiente para tanto, mas acho um filme interessante para ser analisado por esse ângulo. Na minha opinião, é uma obra pesada e "dolorosa", pois trata de tabus ancestrais como castração, canibalismo, estupro e incesto. Incrível que este filme já foi descrito como uma "comédia dramática de humor maldoso" (cara... sério que alguém viu graça nesses temas ???? Vai se tratar, criatura...). Mas, apesar de achar os temas pesados, não me envolvi seriamente do ponto de vista sensorial... sob este aspecto me impressionei (emocionalmente) mais com "Irreversível" (2002) e "Anticristo" (2009), filmes que lidam com outros assuntos penosos. A obra também me remeteu ao mito de Medeia, pois, como a personagem da mitologia grega, a esposa vinga-se por ter sido traída e, para tanto, usa o filho como meio para atingir o esposo. Apesar de tudo, não achei esse o filme mais pesado e cruel do diretor, posto assumido, na minha opinião, pelo filme "A Ilha" (2000). A obra carece da poesia e delicadeza (óbvio!!!) de outros filmes do diretor como "Primavera, Verão, Inverno, Outono... e Primavera" (2003), "Casa Vazia" (2004) e "O Arco" (2005). Destas três obras, este filme herdou o silêncio - só que naqueles filmes o silêncio se justificava e compunha bem; aqui me pareceu uma certa forçação de barra e sem motivação. Também a fotografia, aqui, perdeu seu encanto - é um dos filmes mais sem graça do diretor do ponto de vista estético. Quanto às interpretações, ponto para o elenco. Todos os envolvidos estão ótimos, ainda mais se levarmos em conta que eles não falam nada durante a narrativa e precisam expressar tudo com o rosto e o corpo somente. Destaque para Lee Eun-woo, que faz duas personagens (a mãe e a amante, estando irreconhecível de um para outro papel). O filho, interpretado por Young Ju Seo, tem um olhar sofredor que comove, e o pai, interpretado por Cho Jae-hyun, carrega o peso da culpa. Olha... está longe de ser o melhor filme de Kim Ki-Duk, mas tem lá seus méritos. Vale conferir, sem ter demasiada expectativa.

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