• hikafigueiredo

"Nada de Novo no Front", de Lewis Milestone, 1930

Filme do dia (157/2018) - "Nada de Novo no Front", de Lewis Milestone, 1930 - Alemanha, 1914. Um grupo de alunos é convencido a se alistar no exército para lutar na Primeira Guerra por um professor nacionalista e ufanista. No entanto, eles descobrirão que, no front, a imagem romântica e heroica da guerra retratada pelo professor é apenas uma ilusão.





Baseada no livro homônimo do escritor alemão Erich Maria Remarque, a obra é um libelo pacifista que denuncia os horrores da guerra e põe por terra qualquer olhar romântico e heroico sobre o tema. O filme tenta aproximar o espectador, ao máximo, de todo o horror que uma guerra proporciona, retratando o medo, a morte, as mutilações, a fome e a dor inerentes à batalha. Eu diria que, dentre os filmes com essa temática antibelicista, este é o que mostra mais desalento e também o mais didático, quase uma cartilha contra a guerra. Nessa linha, destaco "O Medo" como o mais cru e "Vá e Veja" como o mais chocante e perturbador, mas, comum a todos, é o ânimo juvenil pré-alistamento, sempre fomentado por homens que não irão à linha de frente, mas ficarão confortavelmente em seus lares, junto aos seus entes queridos, e a decepção e o choque de realidade quando realmente se não conta do que é uma guerra. A obra é um grande tapa na cara e só não é mais porque, naquela época, os elementos técnicos e certo pudor no que deveria ter retratado não permitiam mostrar com mais crueza e detalhes o assunto em pauta - por exemplo, o fato do filme ser P&B, já que ainda não havia cinema a cores, distancia o espectador da realidade (motivo pelo qual, inclusive, acho os outros dois filmes já citados mais contundentes). A narrativa é bastante tradicional e ocorre em tempo cronológico. O fato de ser bastante didático e um tanto panfletário me incomodou um pouco - guerra é algo que não precisa "pesar" nas cores com um discurso mais insuflado, ela já é horrível por si só, sem qualquer aumentativo. Tecnicamente, o filme é impecável, ainda mais se considerarmos que ele foi produzido em 1930. Como era comum naquele tempo, as interpretações são mais teatrais do que são atualmente e isso pode causar certo estranhamento e desconforto no espectador de hoje, mas nada que estrague a obra. Destaque para Louis Wolheim como Kat e Lew Ayres como Paul (o primeiro por sua ótima interpretação e o segundo por ser o personagem principal da história). O filme é excepcionalmente bom e mesmo os defeitinhos não chegam perto de estragá-lo, além de ter uma temática essencial. A obra ganhou Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção em 1930. Obrigatório.

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