• hikafigueiredo

"No Coração da Escuridão", de Paul Schrader, 2017

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (87/2019) - "No Coração da Escuridão", de Paul Schrader, 2017 - Toller (Ethan Hawke) é um capelão que deixou o exército após a morte de seu filho na Guerra do Iraque. Depois da tragédia, sua esposa o abandona e Toller assume uma pequena congregação. Em um dia comum de culto, Toller é procurado por Mary (Amanda Seyfried) que, grávida, está com problemas com o marido depressivo Michael (Philipe Ettinger). Uma conversa com Michael e a proximidade de Mary mudarão a visão de mundo de Toller.





Ouvi inúmeras críticas acerca deste filme, em especial sobre o fantástico trabalho de Ethan Hawke. Por este motivo, resolvi conferir. A obra gira em torno da desilusão e da perda da fé, mas abrange outros temas como a convivência com a dor psíquica, a destruição do planeta e a esperança (ou falta dela). É um filme que, como poucos, traz à tela o sofrimento da depressão. Toller perdeu tudo - seu filho, sua esposa, seu trabalho no exército, sua saúde. Com fervor, agarra-se à sua religião... mas, e se esta lhe faltar? Pois bem, Toller passa a questionar sua fé e sua capacidade de iluminar os caminhos de seu rebanho. A obra é uma verdadeira descida ao inferno da depressão. A narrativa consegue entrar numa espiral descendente, com o personagem principal sendo "sugado", rapidamente, para o fundo. O personagem Michael - um ativista ambiental deprimido diante da falta de esperança para o planeta - consegue oferecer mais elementos para que Toller questione sua fé. Já Mary, mesmo frágil e grávida, surge como uma luz no fim do túnel, já que ela não apenas não se desespera, mas, também, representa a fé e a esperança. Aqui é necessário fazer um aparte - ainda que o roteiro seja bem interessante, o filme É o Ethan Hawke. Sua interpretação, excepcionalmente boa, toma a tela, domina tudo ao seu redor - e haja dor, desespero, desilusão suficientes para expressar o que Toller sente e estampa em seu rosto. Também não podemos esquecer o trabalho de Amanda Seyfried - seu rosto é só olhos, olhos gigantes que perscrutam Toller em busca de algum apoio e compreensão. Sua Mary, apesar de sentir inúmeras dores psíquicas, em momento algum "joga a toalha" e vê, com fé e amor, a gravidez que assume. A atmosfera do filme é pesada, depressiva, angustiante. O filme desenvolve-se maravilhosamente bem, mas, confesso que odiei a forma abrupta como acabou - de boas, quase qualquer coisa seria melhor do que a forma que terminaram o filme. É uma obra rica em sensações e assuntos a serem pensados e analisados. Eu curti.

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