• hikafigueiredo

"O Boulevard do Crime", de Marcel Carné, 1945

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (97/2019) - "O Boulevard do Crime", de Marcel Carné, 1945 - Paris, 1830. O Boulevard du Temple é a rua boêmia da cidade, com seus cabarés e teatros. Nele desenvolve-se o amor entre o mímico Jean-Baptiste (Jean-Louis Barrault) e a livre Garance (Arletty). No entanto, um romance entre o casal é dificultado pela ação do sedutor ator Frederick Lemaitre (Pierre Brasseur), pelas investidas do rico Conde de Montray (Louis Salou) e pela insistência de Nathalie (Maria Casares).





Considerado por muitos como a maior obra do cinema francês, o filme vai muito além de um romance ou um drama. Com evidente inspiração no teatro, a obra traz a história de amor entre um casal de artistas que se enreda em outras relações que impedem o casal de realizar seu grande amor. O roteiro é intrincado, cheio de idas e vindas envolvendo os vários personagens. O tom geral é de farsa e as interpretações são propositalmente teatrais. Ao longo da obra há várias colocações acerca do papel da arte e do artista, bem como acerca da natureza do amor - há um fundo bastante filosófico nestas colocações. A longa duração do filme - mais de três horas - é imperceptível face ao nosso envolvimento com a história e os personagens. Aliás, os personagens são otimamente desenvolvidos e magnificamente interpretados: Jean-Louis Barrault é genial como o mímico Jean-Baptiste, suas cenas de mímica são fabulosas!!! Pierre Brasseur é igualmente fantástico como o conquistador Frederick, um pretendente a ator cínico, porém generoso e otimista, disposto a tudo para alçar o sucesso no teatro "sério" e cujas falas são as melhores de todo o roteiro; e Arletty, como Garance, é a representação da mulher-esfinge: sedutora, enigmática e impassível, "mãe" de todas as mulheres blasé já imaginadas (curioso como a aparência física de Arletty - muito distante do imaginário de mulher desejável - é completamente indiferente para composição da personagem; Garance é a imagem da sedução, não por seu físico, mas por sua personalidade segura ao extremo e postura autossuficiente - ela é incrível!). Destaque para as cenas de rua, sempre muito lotadas de figurantes, criando um ritmo e uma movimentação raras para o cinema da época. Olha, a obra é fenomenal, vale o título de maior obra do cinema francês!!!! Recomendadíssimo.

0 visualização0 comentário