• hikafigueiredo

"O Estranho que Nós Amamos", de Don Siegel, 1971

Filme do dia (13/2021) - "O Estranho que Nós Amamos", de Don Siegel, 1971 - Durante a Guerra Civil norte-americana, um soldado da União, John McBurney (Clint Eastwood), é ferido em terras confederadas e acaba sendo levado a um internato de moças. No local, ele exercerá uma irresistível atração sobre as moradoras dali.




Ano passado assisti à refilmagem desta obra pelas mãos de Sofia Coppola e fiquei muito curiosa acerca do original. Desconfiava que o filme de 1971 seria muito mais interessante que sua refilmagem. E, "touché", eu estava certa. A obra de Don Siegel tem muito mais "tempero" que o insosso filme de Sofia Coppola. Assumo que a obra de 2017 é infinitamente mais bonita, visualmente falando, que o original, mas, quanto ao conteúdo, a obra de 1971 é bem mais rica e, definitivamente, mais ousada. A história principal continua a mesma - assim que o soldado ferido adentra à casa, desperta um fogo uterino em todas as mulheres e jovens ali existentes, que buscarão, de uma forma ou de outra, atrair a atenção do desconhecido. Mas, no original, temos informações acerca de Martha, a proprietária do local - informações bem polêmicas, eu diria - que inexistem na refilmagem e que põem por terra a imagem de mulher contida e comportada da personagem. Também temos cenas mais atrevidas, começando pelo sonho erótico e herético da personagem Martha que inclui cenas homoafetivas. Mas acho que o grande diferencial entre as duas obras reside na direção de atores. Na refilmagem, a única interpretação da qual gostei foi a de Nicole Kidman, que surge, sim, como uma mulher correta e comportada, sem as contradições da personagem Martha original. As demais interpretações me pareceram protocolares, quando não completamente insípidas, como no caso de Colin Farrell. Já no original, temos a grande Geraldine Page como a contraditória Martha, e Elizabeth Hartman como Edwina, ela convencendo muito mais como mocinha virgem do que Kirsten Dunst. E temos Clint como McBurney. Clint Eastwood esbanja sedução e charme em níveis inimagináveis. E também esse personagem é mais complexo e contraditório do que na refilmagem, despertando sentimentos muito mais ambíguos no público. Os desfechos de ambas as obras são semelhantes, mas o original traz um detalhe que torna tudo tão mais complicado e dolorido (sem spoilers)!!!! Eu confesso que gostei dos dois filmes, mas o primeiro me envolveu bem mais que o segundo. Acho que ambos valem a visita.

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